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29.12.10

Os natais de Yoani Sánchez - Generación Y

Os feriados de volta

Yoani Sánchez
yoani.sanchez@desdecuba.com
Do blog Generación Y


Ir trabalhar no 25 de dezembro, ter aulas no mesmíssimo dia da Noite Feliz ou estar num trabalho voluntário enquanto o ano chegava ao seu fim. Tudo isso era possível na Cuba do fervor ideológico e dos extremos ateístas, do falso ascetismo e da subestimação das festividades que nos tomaram esses Natais ausentes, cinzentos, em voz baixa. As últimas semanas de 1980, 1983 ou 1987, foram tão repetidamente chatas, tão idênticas em sua falta de colorido, que se misturam nas recordações como uma só. Passei várias dessas jornadas sentada numa escrivaninha, enquanto em outras partes do mundo as pessoas compartilhavam com a família, abriam os presentes, celebravam na intimidade dos seus lares.

Parecia que os feriados de Natal nunca mais iriam se estabelecer nas escolas cubanas, que os estudantes só teriam recesso durante as celebrações patrióticas ou de perfil ideológico. Contudo, pouco a pouco, sem se anunciar em nenhuma parte nem se aprovar no nosso peculiar parlamento, os próprios alunos começaram a recuperar esses feriados. No princípio, em cada aula só um terço dos matriculados faltava à escola nesses dias, porém lentamente o vírus das férias começou a contagiar todos. As ausências durante as últimas semanas do ano se elevaram tanto nas escolas que não restou ao Ministério da Educação outro remédio do que decretar até uma quinzena de folga nas aulas. Foi dessas pequenas vitórias cidadãs que nenhum jornal noticia, porém que todos avaliaram como um território arrebatado da falsa sobriedade que nos querem impor da tribuna.

Hoje, meu filho Teo levantou tarde, não irá à escola até o próximo ano. Seus colegas estão desde quarta-feira sem aparecerem no pré-universitário. Vê-lo dormir até as dez, fazer planos para os próximos dias de descanso, ajudam-me a compensar meus aborrecidos Natais infantis. Fazem-me esquecer todas aquelas Boas Noites que passei sem perceber sequer que havia um motivo para celebrar.

Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto

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