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26.1.11

Brasil tem desemprego abaixo da média

Pela primeira vez, índice é menor que o dos países ricos, diz a OIT; jovem brasileiro tem mais oportunidades que o americano ou o europeu

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo

GENEBRA – Pela primeira vez, o Brasil apresenta uma taxa de desemprego abaixo dos países ricos e, pelo menos nas áreas metropolitanas, abaixo da média mundial. Além disso, um jovem em busca de emprego encontrará uma oportunidade mais facilmente no Brasil do que nas grandes cidades europeias ou americanas.

Pela primeira vez, há mais jovens desempregados nos Estados Unidos e na Europa que no Brasil, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). O problema é que a qualidade dos empregos ainda é baixa e o País não consegue gerar maior produtividade ao trabalhador, que começa a ser superado pelos chineses.

O fenômeno da troca de posições entre emergentes e ricos é um espelho de uma situação no mercado de trabalho que tem surpreendido até mesmo os especialistas. O desemprego não caiu nos países ricos, apesar do fim da recessão, enquanto em algumas das grandes economias emergentes chega a faltar mão de obra. “Hoje, o Brasil está em uma situação melhor que antes da crise em termos de geração de emprego”, afirma Theo Sparreboom, economista da OIT.

Antes da crise, em 2007, a taxa de desemprego no Brasil era de 8,2%. Hoje, é de 5,7%. Em 2007, o mundo apresentava desemprego de 5,6%. Hoje, chega a 6,2%. Nos países ricos, a taxa é de 8,8% em 2010, ante meros 5,8% em 2007. “O Brasil é um dos raros casos onde há uma tendência contrária ao que ocorre pelo mundo”, diz a OIT. Segundo o governo, 2,5 milhões de empregos foram criados em 2010.

Inversão. A situação dos jovens é um exemplo dessa troca de posições entre emergentes e ricos. Em 2007, ano que antecedeu a pior crise econômica mundial em sete décadas, a situação dos jovens era exatamente a oposta do que se vê hoje. Naquele ano, apenas 12,4% dos jovens nos países ricos não tinham trabalho.

O número aumentou em 2010 para 18,2%, e não há sinais de queda. Um dos países onde a situação é mais crítica é a Espanha, destino de 5 milhões de imigrantes em apenas dez anos em busca de trabalho. Muitos eram jovens. Em 2010, o desemprego entre jovens chegava a 39%. Seria de 45% se contasse aqueles que já desistiram de buscar trabalho.

No total, 79,6 milhões de jovens não trabalhavam em 2009, ante 77,7 milhões em 2010. Antes da crise, o número de jovens sem emprego era de 73,5 milhões, 11,8%.

Já no Brasil, o crescimento da economia permitiu o contrário. De uma média de 14% de desemprego entre os jovens em 2007, a taxa no País caiu em 2010 para 12,5%, abaixo mesmo da média mundial de 12,6%. A taxa também é inferior à média do Sudeste Asiático. Em 2003, 20% dos jovens nas áreas metropolitanas no Brasil não tinham trabalho.

Segundo a OIT, porém, nem tudo é boa notícia no Brasil. Apesar da explosão do número de empregos, a qualidade dos trabalhos, salários e proteção social é ainda são problemas que o País terá de enfrentar. “A taxa de emprego não é o único indicador. Salários, qualidade do emprego e vulnerabilidade ainda são altas na região”, diz Manuel Salazar Xirinachs, diretor do Departamento de Empregos da OIT.

Em 2007, 2,3 milhões de trabalhadores brasileiros ganharam menos de US$ 1,25 por dia. O que significa que não poderiam sobreviver, apesar de ter trabalho. Outros 6,4 milhões de pessoas ganharam menos de US$ 2,00 por dia, mesmo trabalhando. “Houve um crescimento da oferta do trabalho. Mas a vulnerabilidade aumentou”, afirma a OIT.

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