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27.2.11

Entendendo os protestos no mundo árabe

Protestos no mundo árabe em 2010-2011

Os protestos no mundo árabe em 2010-2011 são uma série de grandes manifestações e protestos em países do Norte da África e do Oriente Médio, que compõe o chamado "Mundo Árabe". Os protestos ocorrem na Tunísia, Egito, Iêmen, Barein, Argélia, Líbia e Jordânia, com pequenos incidentes ocorridos na Mauritânia, Arábia Saudita, Omã e Sudão.[1][2][3][4][5] As manifestações populares começaram em 18 de dezembro de 2010 com o levante na Tunísia, que foi seguido por protestos no Egito, na Argélia, na Líbia, no Iêmen e Jordânia.[6][7] No dia 17 de janeiro de 2011, cerca de 200 manifestantes marcharam em Omã exigindo um aumento dos salários e a redução dos custos de vida.

O primeiros dos movimentos foi na Tunísia (a Revolução de Jasmim), quando o ex-presidente Zine El Abidine Ben Ali fugiu para a Arábia Saudita. Mais tarde, a atenção do mundo focou-se no Egito, onde ocorreram protestos maciços desde 25 de janeiro de 2011. Após quatro dias de protestos, o presidente Hosni Mubarak propôs reformas, mas ainda não renunciava, o que levou a mais protestos que continuaram por 18 dias, com a pressão internacional e a pressão interna, Mubarak desiste e cede o Governo à SFME - Suprema Força Militar Egípcia. Os protestos no Egito ganharam bastante atenção e preocupação de todo o mundo, o motivo era uma aliança que existia entre Mubarak e o Ocidente, visto que Mubarak era um importante aliado na Guerra ao Terror[8]. Além disso, devido às semelhanças político-econômicas e culturais, o movimento foi de grande influência nos outros países árabes a iniciarem uma guinada democrática.[9]

Esta série de protestos a favor da democracia contrasta com um silêncio pasmoso da União Europeia e com um apoio relativamente grande dos Estados Unidos às manifestações.[10]


Causas

A revolução democrática árabe é considerada a primeira grande onda de protestos laicistas e democráticos do mundo árabe no século XXI. Os protestos, de índole social e, no caso de Túnis, apoiada pelo exército, foram causados por condições de vida duras promovidas pelo desemprego, ao que se aderem os regimes corruptos e autoritários[11] revelados pelo vazamento de telegramas diplomáticos dos Estados Unidos divulgados pelo Wikileaks. Estes regimes, nascidos dos nacionalismos árabes dentre as décadas de 1950 e 1970, foram se convertendo em governos repressores que impediam a oposição política credível que deu lugar a um vazio preenchido por movimientos islamistas de diversas índoles.[11] Outras causas das más condições de vida, além do desemprego e da injustiça política e social de seus governos, estão na falta de liberdades, na alta militarização dos países e na falta de infraestruturas em lugares onde todo o beneficio de economias em crescimento fica nas mãos de poucos e corruptos.[12]

Estas revoluções não puderam ocorrer antes, pois, até a Guerra Fria, os países árabes submetiam seus interesses nacionais aos do capitalismo estadunidense e do comunismo russo. Com poucas exceções, até a Guerra Fria, maiores liberdades políticas não eram permitidas nesses países. Diferentemente da atualidade, a coincidência com o amplo processo da globalização, que difundiu as ideias do Ocidente e que, no final da primeira década do terceiro milênio, terminaram tendo grande presença as redes sociais, que em 2008 se impuseram na internet. Esta, por sua vez, se fez presente na década de 2000, devido aos planos de desenvolvimento da União Europeia.[13] A maioria dos protestantes são jovens (não em vão, os protestos no Egito receberam o nome "Revolução da Juventude"), com acesso a Internet e, ao contrário das gerações antecessoras, possuem estudos básicos e, até mesmo, graduação superior.

Por último, a profunda crise do subprime de 2008 na qual foi muito sentida pelos países norte-africanos, piorando os níveis de pobreza, foi um detonador para a elevação do preço dos alimentos e outros produtos básicos.[13]

A estas causas compartilhadas pelos países da região se somam outras particulares. No caso da Tunísia, a quantidade de turistas internacionais e, em especial, os europeus que recebiam promoveu maior penetração das ideias ocidentais; ademais, O governo da Tunísia é o menos restritivo.[13]


Referências

   1. ↑ Thousands in Yemen Protest Against the Government
   2. ↑ Protest spreads in the Middle East - The Big Picture - Boston.com
   3. ↑ http://www.leparisien.fr/flash-actualite-monde/mauritanie-mecontent-du-regime-un-homme-s-immole-par-le-feu-a-nouakchott-17-01-2011-1231257.php
   4. ↑ http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-12260465
   5. ↑ http://www.presstv.ir/detail/160998.html
   6. ↑ UPDATE 1-Egypt, Algeria, Jordan risk political unrest -S&P | Reuters
   7. ↑ Inspired by Tunisia and Egypt, Yemenis join in anti-government protests
   8. ↑ http://www.vancouversun.com/news/Unrest+across+Arab+world/4178175/story.html
   9. ↑ CHAVES-SCARELLI, Thiago. "Guinada democrática no Egito seria grande exemplo para mundo árabe, dizem analistas" (em português). UOL Notícias. 29 de janeiro de 2011. (página da notícia visitada em 29 de janeiro de 2011)
  10. ↑ Valenzuela, Javier; El País: Europa y la revolución democrática árabe, 29 de janeiro de 2011 (consultado no mesmo dia).
  11. ↑ a b Fuentes, Pedro; Túnez: El significado de la primera revolución democrática árabe del Siglo XXI (Consultado em 30 de janeiro de 2011).
  12. ↑ Goytisolo, Juan; El País: Revolución democrática en el Magreb. (Consultado em 30 de janeiro de 2011).
  13. ↑ a b c Historia de Ahora; La revolución de Túnez y su expansión por los países “árabes”. 28 de janeiro de 2011 (consultado em 30 de janeiro de 2011).


Veja aqui a Linha do Tempo:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Protestos_no_mundo_%C3%A1rabe_em_2010-2011

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