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2.2.11

Notícias de uma Revolução IX - Egito, fragilidade econômica

Crise no Egito expõe fragilidade econômica do país

Russell Hotten  (Da BBC News)
A onda de protestos contra o presidente, Hosni Mubarak, que se espalhou por diversas cidades do Egito, está expondo as falhas do modelo econômico do país.

O crescente endividamento, o aumento no preço de alimentos e o desemprego em alta ameaçam a economia egípcia, tida como uma das histórias de sucesso econômico do Oriente Médio.

Mesmo no período da crise financeira global, sua economia, em termos comparativos, resistiu bem, crescendo 4,7% em 2009, e 5% no ano passado.

A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país para este ano é expressiva, de 6%. Há fartos sinais de riqueza: modernos empreendimentos imobiliários, residenciais e comerciais, e uma crescente classe média que ostenta sua posição social.

A guinada do país para uma economia de mercado e mudanças introduzidas na década de 90 após uma crise bancária, sem dúvida beneficiaram segmentos da população e estimularam o investimento estrangeiro.

Mas problemas com raízes profundas e há muito ignorados pela comunidade internacional vieram à tona.

O déficit do Egito é de de cerca de 8% do PIB do país. A inflação alimentar está na faixa de 17% ao ano e a taxa geral de inflação é de 10%. Economistas estimam que o índice de desemprego do país seja de 25%.

Pobreza

De acordo com o Banco Mundial, cerca de 40% da população vive abaixo da linha da pobreza, com menos de US$ 2 por dia. Estas pessoas dependem dos subsídios que o governo paga para os setores de alimentos, combustíveis e outros, que devem atingir um total de US$ 17 bilhões neste ano (R$ 28,5 bilhões).

A sustentabilidade do crescimento do Egito e os cortes de despesas dependem em boa parte da confiança dos investidores estrangeiros, dos turistas que visitam as atrações do país e das empresas que enviam suas cargas através do estratégico Canal de Suez.

O preço do petróleo aumentou, com o barril do tipo Brent chegando a US$ 100. Há temores de que os protestos violentos no país possam interromper o suprimento de petróleo através do canal.

As ações de companhias aéreas e de agências de viagem com negócios no Egito caíram. E turistas estão sendo aconselhados a deixar o país ou pelo menos a evitar viajar para as principais cidades egípcias.

Os lucros provenientes do turismo foram de cerca de US$ 11,6 bilhões em 2009, e apesar de os índices relativos a 2010 ainda não estarem disponíveis, os números de pessoas que viajaram para o Egito aumento em 21% na primeira metade do ano passado.

Cerca de 12% dos trabalhadores egípcios atuam em setores ligados à indústria hoteleira.

Turismo

A temporada de pico vai de meados de outubro a maio, portanto há potenciais turistas que agora deverão buscar outros destinos para passar suas férias.

Mas a indústria turística do país já se recuperou de outros contratempos. O assassinato de 58 turistas em Luxor em 1997 levou a um declínio no número de visitantes, assim como os ataques de 11 de setembro de 2001 e os atentados à bomba contra instâncias turísticas em Sinai, de 2004 a 2006, também abalaram o turismo local.

A crise no Egito deixa claro que nós vivemos em um mundo interconectado economicamente, mas para se ter prova física disso basta olhar para o Canal de Suez.

Uma das maiores preocupações dos investidores e companhias internacionais é de que os protestos acabem pondo em risco o canal, que oferece uma ligação de 193 quilômetros entre o Mar Mediterrâneo, o Mar Vermelho e o Golfo de Suez.

A despeito de relatos feitos pela mídia estatal do Egito de que o canal está operando em sua “plena capacidade” a mera ameaça de fechamento já jogou os preços de petróleo para o alto.

Cerca de 1% da produção mundial de petróleo passa pelo canal, ou por meio de navios petroleiros ou oleodutos.

Canal de Suez

Aproximadamente 35 mil embarcações por ano atravessam o canal, que é uma das mais importantes rotas para transporte de carga em todo o mundo.

Um possível fechamento obrigaria navios que viajam entre a Ásia e a Europa a contornar o Cabo da Boa Esperança, o que acrescentaria 9656 quilômetros à jornada.

O canal é uma das maiores fontes de renda do Egito, juntamente com o turismo e a exportação de petróleo.

A Autoridade do Canal de Suez relatou que os lucros registrados desde o início de 2010 até o começo deste ano foram de US$ 4,77 bilhões, o que representa um aumento de US$ 484 milhões em relação a 2009, graças à recuperação econômica.

Na segunda-feira, a companhia dinamarquesa AP Moller-Maersk disse ter suspenso as operações em seu terminal no porto e fechado seus escritórios no país.

A empresa, que é a maior do mundo no ramo de transporte marítimo de cargas , disse que as tensões no país vinham afetando suas atividades comerciais e operacionais.

Muitos analistas egípcios afirmam que apesar da gravidade da situação, o país não está em vias de implodir.

Mas a decisão da companhia dinamarquesa indica que o que quer que digam os dirigentes egípcios, a situação está muito longe do normal.

Uma das grandes incógnitas dos protestos é se eles irão exacerbar a crise de confiança internacional ou abrir caminho para mudanças que irão reparar os danos já sofridos.

Em um relatório recente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) informou que o desemprego no Egito, quer era de 2,3 milhões em 2008, chegará a 7,1 milhões em 2020, se continuar no ritmo atual. A população do país é de cerca de 80,5 milhões.

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