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17.2.11

Tokyo Compression

Tokyo Compression: o inferno urbano visto por Michael Wolf
 




 
A linha de metro mais movimentada de Tóquio foi o cenário escolhido para este projecto do fotográfo alemão Michael Wolf. A sua objectiva captou, durante trinta dias, a realidade contemporânea dos transportes públicos em hora de ponta: uma gigantesca massa anónima que se concentra num mesmo espaço, partilhando muitas vezes empurrões, pisadelas ou até mesmo cheiros desagradáveis.

O metro de Tóquio é um dos transportes mais concorridos do Mundo, onde todos os dias passam cerca de seis milhões de passageiros. Na linha "Odakyu", e apesar de haver uma nova carruagem a cada oitenta segundos, em plena "rush hour" este ritmo de passagem não é suficiente.

Michael Wolf esteve um mês a fotografar esta realidade. Assim que as portas se fechavam, apontava a câmara para as janelas do metro. O objectivo: registar os rostos e as emoções de quem, logo pela manhã, já estava "apertado" entre milhares de desconhecidos.

O fotógrafo alemão, nascido em 1954, é conhecido pela sua tendência "voyeurista". Gosta especialmente de captar momentos do quotidiano que por serem tão banais acabam por passar despercebidos. Mas Michael consegue ir ao detalhe e revelar pormenores surpreendentes.

Em "Tokyo Compression" as fotografias falam por si: a confusão nos vagões que leva a que os passageiros sejam quase espremidos contra as janelas, empurrados, pisados e tenham que suportar o cheiro (por vezes desagradável) dos companheiros de viagem. Muitas pessoas não mostravam qualquer reacção quando se apercebiam de que estavam a ser fotografadas. Os flashes disparados a tão curta distância eram apenas mais uma luz sem qualquer importância. Já outros fechavam os olhos, protegiam a cara com as mãos ou tapavam as janelas, incomodados com a situação. Não há nenhuma imagem de alguém a sorrir e em muitas delas os vidros estão embaciados.

"É o inferno dos transportes suburbanos", afirma Wolf. Esta é uma realidade vivida não só em Tóquio, como em muitas outras metrópoles do mundo. O desconforto e a incapacidade de lutar contra as multidões em plena hora de ponta. A perspectiva abordada pelo fotógrafo transmite essa visão da vida contemporânea nas cidades.

Esta bizarra experiência já se encontra em livro, numa publicação feita pela editora Peperoni Books. E até 20 de Fevereiro as imagens estão expostas no Forum fur Fotografie, em Colônia, na Alemanha.

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