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6.3.11

La Coubre


"Revelável em 150 anos", o dossiê francês secreto do atentado da CIA ao navio La Coubre


Jean-Guy Allard/Granma

O dossiê completo da investigação da armadora francesa CGT sobre o atentado ao navio La Coubre, cuja responsabilidade é atribuída a CIA, encontra-se no cofre duma fundação marítima francesa, proibido de ser revelado daqui há 150 anos pelos serviços jurídicos dos últimos donos do navio.

O dossiê, cuja existência ficou até agora ignorada, permanece ha quase meio século nos arquivos da Compagnie Générale Transatlantique (CGT), também conhecida como French Line, dona do La Coubre no momento da tragédia em Havana.

A CGT integrou-se em 1973 à Compagnie Générale Maritime, empresa estatal que depois foi privatizada e cedida a um consórcio, hoje conhecido como CMA CGM. A propriedade jurídica e a administração dos arquivos da CGT foram confiadas em 1995 a uma fundação em cujo conselho de administração, de 16 membros, se encontram dois representantes do CMA CGM.

Esta fundação chamada "Association French Lines", dirige, com o propósito de garantir a conservação do patrimônio marítimo francês, um serviço de investigação histórica de diversos fundos de empresas de navegação, em sua sede situada na rua Lucien Corbeaux da cidade portuária de Le Havre.

Entre as mais de 30 mil fichas do arquivo da fundação, 79 contêm referências aos diferentes momentos da existência de La Coubre. Uma delas, a número 22091, integrada à fundação em 1997, tem a descrição seguinte: "La Coubre. Explosão em Havana, reparações, fotografias, artigos de imprensa, lista de desaparecidos, relatório ao comitê de direção, condições de asseguramento, correspondência".

Este dossiê, cujo conteúdo tem muita importância para o conhecimento de detalhes inéditos do ato terrorista de Havana, tem como origem os Servicos Jurídicos da desaparecida CGT e está marcado como "Revelável", com a assombrosa proibição: "Revelável daqui há150 anos".

A existência deste arquivo sobre o crime de La Coubre, constitui mais um elemento misterioso na sucessão de enigmas que rodeia o ato terrorista mais importante do século no continente.

Ocorrido há exatamente 51 anos, em 4 de março de 1960, o atentado terrorista de La Coubre causou além duma centena de mortos, entre eles seis membros franceses de sua tripulação, mais de 200 feridos e inúmeros desaparecidos. O custo dos danos materiais foi estimado em aproximadamente US$17 milhões.

Cuba tem denunciado muitas vezes a responsabilidade da Agencia Central de Inteligencia (CIA) estadunidense na explosao de La Coubre no porto de Havana.

Nas horas seguintes à explosão, o líder cubano Fidel Castro presidiu um ato histórico na Praca da Revolução, onde expressou sua convicção de que a mão da CIA, que já se mostrava muito agressiva contra Cuba, se encontrava por trás do crime.

Batizado em 16 de abril de 1948 pelo estaleiro Canadian Vickers Ltd de Montreal, Canadá, La Coubre realizava desde 11 de outubre de 1951 percursos entre a França, Antilhas francesas, América Central e os Estados Unidos.

La Coubre foi rebocado em 22 de agosto de 1960 pelo navio holandês Ooostzee até Rouen, França, onde os Chantiers de Normandie reconstruíram a parte destruída. O navio retomou seus serviços em 1o de abril de 1961. E posteriormente foi chamado, sucessivamente, Barbara, Notios Hellas, Agia Marina antes de ser vendido no fim de 1979, pelo valor do metal, a uma empresa espanhola de Gandia (Valença) que o demoliu.

Depois de mais de meio século, o governo dos Estados Unidos continua sem entregar documentos de seus arquivos secretos relacionados com La Coubre.

"Não é possivel ter ignorado as circunstâncias em que se viram envolvidos vários norte-americanos", afirma o doutor José Luis Méndez Méndez, reconhecido historiador do terrorismo contra Cuba, ao enumerar uma relação de elementos suspeitosos que vinculam os Estados Unidos aos acontecimientos.

"Este crime tem que ter sido investigado", afirma.

Os 22 sobreviventes franceses de La Coubre foram repatriados à França, de navio.

Seis marinheiros franceses morreram na criminosa explosão, vítimas deste cínico gesto de agressão: o primeiro-tenente François Artola, o timoneiro Jean Buron e os marinheiros Lucien Aloi, André Picard, Jean Gendron e Alain Moura.

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