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8.3.11

Lesoto - África. A igualdade entre os sexos

País africano está entre os 10 melhores em igualdade entre sexos

Karen Allen

Da BBC News em Lesoto, no sul da África


O pequeno Reino do Lesoto, no sul da África, ocupa o oitavo lugar em um ranking global de igualdade entre os sexos compilado pelo Fórum Econômico Mundial, aparecendo logo após países como Islândia, Noruega e Finlândia.

As razões para uma colocação tão alta - o Brasil, por exemplo, está na 85ª posição - são culturais, políticas e econômicas, mas uma explicação vem frequentemente à tona quando se fala na questão do gênero no Lesoto: o fato de que historicamente muitos homens deixavam o país para ir trabalhar nas minas da África do Sul, forçando as mulheres a assumir seus lugares nas escolas e no mercado de trabalho.

Hoje, um em cada cinco ministros do governo do Lesoto é mulher. Assim como a chefe de polícia, a presidente da Câmara e mais de dez juízas presidindo tribunais do país.

A ministra da Saúde e Questões Sociais, Mphu Ramatlapeng, atribui as estatísticas a políticas de promoção dos direitos das mulheres adotadas pelo governo, mas também à cultura de aprendizado no país de 1,8 milhão de habitantes.

"O fator definitivo é a educação. Acho que muitas mulheres perceberam cedo que elas têm de educar suas filhas", diz ela.

Os índices de alfabetização são mais altos entre as mulheres no Lesoto, com 95% delas sabendo ler e escrever contra 83% dos homens.

Competição

Apesar dos altos cargos ocupados por muitas mulheres, o índice de desemprego no país chega a 43% e a competição por empregos mais comuns é intensa.

Mais de 40 mil mulheres formam hoje a maior parte da força de trabalho na indústria têxtil, concentrada na capital, Maseru. Mas elas correm risco cada vez maior de perder seus postos, já que homens que tradicionalmente trabalhavam em minas no exterior estão agora procurando empregos dentro do país.

Outro perigo para as mulheres do Lesoto está ligado à reprodução. Os índices de mortalidade materna dispararam nos últimos cinco anos - uma tendência atribuída pela ministra Ramatlapeng a um aumento no número de clínicas de aborto clandestinas e a complicações na gravidez.

Muitas grávidas vivem em locais relativamente isolados e preferem ter os filhos em casa, sem acompanhamento médico.

Auto-estima

Para a técnica de futebol feminino Lash Mokhathi, é difícil acreditar que seu país é o primeiro da África na redução das diferenças entre homens e mulheres e o oitavo em todo o mundo.

"Precisamos melhorar a auto-estima das mulheres", diz ela, explicando que esta é a razão de ser do programa em que ela trabalha. O projeto "Chute pela Vida" busca evitar que mulheres jovens se entreguem às drogas, à prostituição e ao crime.

"Quero ver mais mulheres engenheiras, operárias, um partido político dirigido por uma mulher. Aí vou dizer que o Lesoto alcançou a igualdade."

Conquistas ameaçadas

Até recentemente, uma lei em vigor no campo - onde vive metade da população do país - dizia que as mulheres não podiam tomar decisões em casa, nem assinar contratos ou herdar propriedades, colocando-as legalmente em posição semelhante àquela de crianças.

Esta lei mudou, mas muitas mulheres ainda acham que precisam de um homem para tomar conta delas.

"Você precisa de um homem para cuidar de você. Meu marido morreu em 1962 e desde então conto com os irmãos dele para defender meus interesses", diz Teresia Joele, de 79 anos.

Como milhares de mulheres de sua idade, Joele teve de criar seus netos porque os pais das crianças morreram de AIDS.

Cerca de 23% da população do país foram infectados com a doença, algo que ameaça reduzir as conquistas feitas pelas mulheres no campo da educação.

"Eu não tenho dinheiro para mandar minha neta Dironstso para a escola apesar de saber que isso seria a melhor coisa que poderia fazer por ela", diz Joele.

Apesar de a educação primária ser gratuita no Lesoto, a partir dos 13 anos de idade é preciso pagar pela escola, assim como pelos uniformes e livros.

No Dia Internacional da Mulher, pode parecer que Lesoto tem muito o que comemorar, já que o país tem mais igualdade entre homens e mulheres em termos de saúde, educação e participação política que muitas outras nações.

Mas para as mulheres que vivem no país, ainda há muito a ser feito para que elas possam chegar onde desejam.

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