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27.6.11

Vénus Noire - Sarah Baartman, a Vênus Hotentote,





A história real da africana Sarah Baartman, a Vênus Hotentote, exibida como atração em uma jaula na Europa do século 19. (Drama)
Nome original: Vénus Noire
País: França/2010
Direção: Abdellatif Kechiche
Com: Elina Löwensohn, Olivier Gourmet e Jean-Christophe Bouvet
Duração: 159 minutos
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos.


Saartjie "Sarah" Baartman (1789-1815) foi a mais famosa de, pelo menos, duas mulheres hotentotes usadas como atracções secundárias de circo na Europa do século XVIII sob o nome de Vénus Hotentote.

Saartjie Baartman nasceu no seio de uma família khoisan em Gamtoos Valley, na actual província do Cabo Oriental, na África do Sul. Esta é a forma africânder do seu nome; o seu nome original não é conhecido. Saartjie (pronunciado "Sarqui") é traduzido como "Pequena Sarah".

Baartman servia fazendeiros holandeses que moravam perto da Cidade do Cabo. Hendrick Cezar, irmão do patrão de Baartman, sugeriu que ela se exibisse na Inglaterra, prometendo que isso a tornaria rica. Lord Caledon, governador do Cabo, permitiu a viagem, embora tenha lamentado isso após saber o seu verdadeiro propósito.

Ela foi para Londres em 1810, tendo viajado por toda a Inglaterra exibindo as suas "inusitadas" dimensões corporais, segundo a perspectiva europeia - formando-se a opinião que estas eram típicas entre os hotentotes.

Senhora de volumosas nádegas (esteatopigia), o que era considerado estranho e perturbador para o europeu à época, os seus exibidores permitiam aos visitantes tocar as suas nádegas mediante um pagamento extra.

Por outro lado, ela possuia o sinus pudoris, também conhecido por "tablier", "cortina da vergonha" ou "bandeja", em referência aos longos lábios da genitália de algumas Khoisan. Segundo Stephen Jay Gould, "os pequenos lábios, ou lábios internos, dos genitais da mulher comum, são extremamente longos nas mulheres Khoi-San e podem sobressair entre 7,62 a 10,16 cm a partir da vagina, se a mulher estiver de pé, dando a impressão de uma distinta e envolvente cortina de pele." (Gould, 1985). Saartjie nunca permitiu que este seu derradeiro traço fosse exibido enquanto viveu.

A sua exibição em Londres causou escândalo tendo a benevolente sociedade African Association sido criticada pela sua iniciativa. Baartman foi interrogado em tribunal na Holanda, tendo declarado que a mulher não estava restringida e entendia perfeitamente que eram seus metade dos proveitos das exibições. O resultado não foi satisfatório por causa de contradições com outras investigações, e por isso a exposição da mulher em Londres tornou se impossível. No fim de 1814 ela foi vendida a um domador de animais francês, que agora viu a chance dele para enriquecer fácil. Já que ela foi vendida como uma prostituta ou escrava, o novo dono a mantinha em condições bem mais rudes. Foi exposta em Paris e tinha que aceitar para exibir-se completamente nua, em contradição à sua palavra que jamais exibisse seus lábios da genitália. As celebrações da reintronização de Napoleão Bonaparte no início de 1815 implicaram festas noturnas, a exposição ficou aberta a noite toda e os muitos visitantes bêbados se divertiram tocando em todas as partes da moça indefesa. Depois desses dias ela foi exposta para multidões, que zombaram dela, era alvo de caricaturas, mas chamou também o interesse de cientistas e pintores. Foi visitada pelo anatomista francês Georges Cuvier e outros naturalistas, tendo sido objecto de inúmeras ilustrações científicas no Jardin du Roi. O corpo todo foi investigado e medido e o tamanho das nádegas, clitóris, [[lábios, mamilos etc. registrado para institutos zoológicos, científicos e museus. Com a nova derrota de Napoleão, o fim de seu governo e a conquista da França pelas tropas aliadas em junho 1815 as exposiçãoes tornaram-se impossíveis e Saartje foi feita prostituta. Bebeu muito e morreu já em dezembro de 1815, depois de um estãgio de 15 meses na França, supostamente de esgotamento, sífilis ou pneumonia.

Legado

Saartjie Baartman morreu a 29 de Dezembro de 1815 de uma doença inflamatória. A sua autópsia foi conduzida e os resultados publicados por Henri de Blainville em 1816 e por Cuvier em Memoires du Museum d'Histoire Naturelle em 1817. Cuvier anotou, nessa monografia, que ela era uma mulher inteligente, que possuia uma excelente memória e falava holandês fluentemente. Para não pagar pelo enterramento o domador de animais vendeu o corpo morto ao Musée de l'Homme (Museu do ser humano), em Paris, onde ela foi empalada como um animal e exposta nua. Com as decadas o corpo estragou e o museu guardou só as partes mais "interessantes". O seu esqueleto, órgãos genitais e cérebro, conservados, estiveram em exibição até 1985.

A partir da década de 1940, houve apelos esporádicos pelo regresso dos seus restos mortais, mas o caso só ganhou relevância após o biólogo norte-americano Stephen Jay Gould ter pubicado The Hottentot Venus na década de 1980.

Quando Nelson Mandela se tornou presidente da República da África do Sul, requereu formalmente à França o regresso dos restos mortais de Saartjie Baartman. Após inúmeros debates e questiúnculas legais, a Assembléia Nacional francesa acedeu ao pedido em 6 de Março de 2002.

Os restos mortais foram devolvidos à sua terra natal, Gamtoos Valley, a 3 de Maio de 2002.

 Fontes

Gilman, Sander L. (1985). Black Bodies, White Bodies: Toward an Iconography of Female Sexuality in Late Nineteenth-Century Art, Medicine, and Literature. In: Gates, Henry (Ed.) Race, Writing and Difference. Chicago: University of Chicago Press. p. 223-261.
Gould, Stephen Jay (1985). The Hottentot Venus. In: The Flamingo's Smile. New York: W.W. Norton & Company. p. 291-305
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Um comentário:

Glezia :) disse...

Essa matéria eu li no Wikipédia. Pensei que fosse uma matéria mais detalhada, mas me enganei.