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7.7.11

Colômbia : escravidão

 
 
 
Colômbia :  As crianças escravas de Cartagena

 
 
Libardo Muñoz

Jornalista colombiano - PacoCol
Tradução: ADITAL
Essas crianças de Cartagena são vítimas da injustiça social de uma cidade governada pelos interesses classistas dos poderosos da privatização neoliberal, que já fez o Estado desaparecer. Estão privatizados a água, a energia elétrica, o gás, a iluminação pública, a saúde, a telefonia, os portos marítimos, o aeroporto, as estradas e grande parte da educação, de tal maneira que os prédios do Governo e da Prefeitura, hoje transformados em ninhos de burocratas de origem provinciana, onde se conversa coisas inúteis, logo serão hoteis para multimilionários.

As figuras do governador e do prefeito somente estão para receber comissões e adjudicar contratos de construção de mega apartamentos, de acordo com o Plano de Ordenamento Territorial (POT), dando as melhores terras aos especuladores e jogando os pobres cada vez mais para a periferia, para invadir os pântanos.

O ponto central de exploração silenciosa da infância trabalhadora de Cartagena é o Mercado de Bazurto, sob o calor e o sol escaldantes, para onde vão em busca de qualquer ofício para obter uma moedas: carregar sacos mais pesados que seus corpos; empurrar carretas cheias de bananas; carregar bolsas de compras até o táxi... A maioria são meninos amáveis.

Pode-se afirmar que o mercado de Cartagena, com sua pestilência e seu ruído intermináveis, retratam um sistema imposto sobre toda legislação que proíbe a exploração infantil.

As demais crianças trabalhadoras de Cartagena se espalha pelos semáforos e nos cruzamentos mais perigosos para vender água e pendurar-se nos estribos dos ônibus, maltrapilhos.

Outras crianças trabalhadoras de Cartagena cantam canções de letras destinadas a comover o coração dos passageiros, para em seguida, recolher uma colaboração que quase sempre é generosa; é uma mendicidade patética, maquiada, praticada por uma infância que não freqüenta a escola.

Calcula-se que pouco mais de 4 mil crianças estão espalhadas pela cidade capital de Bolívar, que tem o mais elevado índice populacional vinda do campo, de camponeses que fogem dos paramilitares e dos latifundiários do dendê, que estão apoderando-se das melhores terras dos Montes de María.

Vemos crianças trabalhadoras nos carros de mula, de ajudantes de seus pais, fazendo mudanças, levando areia, lixo ou envolvidos na reciclagem.

A infância trabalhadora de Cartagena passa despercebida ante os olhos dos transeuntes; o meio os assimilou como parte de uma paisagem urbana submersa na desordem e no "nada me importa”, no rebusque generalizado imposto pelas leis do mercado neoliberal.

As emissoras a todo volume fazem seu ofício com locutores que vociferam bobagens e palavras que não levam a nada. Os governantes locais são eleitos, chegam, passam e se vão de uma Cartagena paradisíaca na qual nem eles mesmos acreditam.

A Colômbia figura em uma lista que nos envergonha, juntamente com a Romênia, Rússia, Brasil, Nigéria, Equador, Serra Leoa, Bulgária e Ucrânia, onde as crianças, em uma quantidade de 8.500.000, estão submetidos a trabalhos forçados, muito similares à escravidão.
 
Fonte: Pátria Latina

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