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5.7.11

Ernest Hemingway


imagem de A.E. Hotchner/Library of Congres/Associated Press


..."Adormeceu quase imediatamente e sonhou com a Àfrica de quando era rapaz, com as longas praias douradas e as praias brancas, tão brancas qque magoavam os olhos, e com os cabos que se erguiam majestosamente sôbre o mar, e com as enormes montanhas castanhas. Agora vivia nessas costas todas as noites e, nos seus sonhos, ouvia o marulhar das ondas e via os barcos dos nativos que singravam as águas. Cheirava-lhe ao alcatrão e aos cabos da coberta e parecia-lhe sentir o aroma da África que a brisa da terra trazia pela manhã". O Velho e o Mar , de Ernest Hemingway -25 ed. 1985 Ed. Civilização Brasileira

O Velho e o Mar

Cresci com uma enorme fascinação pelos livros, e pelos papéis. Talvez o fato de ser filha única e ter aprendido a ler muito cedo, pois não havia companhias para as brincadeiras de menina, talvez porque me chamasse atenção o fato de alguém conseguir escrever tantas palavras... O certo é que perto de completar dez anos retirei de dentro da estante com portas de vidro, do meu pai, um livro não muito grosso, não muito envelhecido, com um título que me chamou a atenção - O velho e o mar -   e cujo nome do autor eu não conseguia pronunciar. Esse foi o primeiro livro que li na minha ainda tão curta vida. E que me marcaria para sempre. Fossem pelas lembranças de Santiago por sua adorada África, por sua força na luta para dominar aquele peixe, ou por sua vida simples de pescador, sem nenhum recurso...

 O livro "O Velho e o Mar" me transportou para um mundo longe, muito além do mar que via quando estava na praia. A minha cabeça, ainda cheia de fantasias próprias da infância pensava no heróico e no lutador daquelas páginas. Levei dias e dias com aquele livro embaixo do braço. Lembro-me de acordar bem cedinho e ainda deitada, de bruços com as mãos cruzadas embaixo do queixo, ficar ansiosa por saber se Santiago conseguiria derrotar aquele peixe, colocá-lo no barco e trazê-lo pra ilha.

Alguns anos depois, quando já pronunciava corretamente o nome de Ernest Hemingway, li tudo que ele escrevera e que estava disponível no meu idioma. Vi essas mesmas obras tornarem-se, algumas delas, grandes dramas do cinema. Conheci, mais tarde, a tragédia da vida de Ernest - ele mesmo a encerrara,  com a bala de um fuzil em julho de 1961  no Estado de Idaho, quatro meses antes de eu completar dois anos de idade.  Mas passados tantos anos, ainda guardo as lembranças daqueles dias de leituras...daqueles dias em que junto com Santiago eu também lutava contra aquele peixe e sonhava com os leões da velha África.
Salinas, 2006

Emília Couto Della-Porther




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Morte de Ernest Hemingway completa 50 anos neste sábado

DA EFE, EM WASHINGTON

Meio século se completa neste sábado desde que o escritor Ernest Hemingway apertou o gatilho de sua pistola e pôs um trágico fim a uma trajetória de vida na qual se consagrou como "modelo de escritor moral", ao relatar os horrores e paixões provocados pela guerra.

"Ele viveu com paixão e um enorme respeito pelas outras culturas, com compromisso e determinação em tempos de guerra. Tudo isso o transforma em um estupendo modelo moral", diz à Agência Efe James Meredith, presidente da Hemingway Society, dedicada a preservar o legado do escritor.

Autor de cinco romances e mais de 50 relatos, Hemingway cultivou uma imagem de viajante e aventureiro infatigável, com prolongadas viagens a França, Itália, Espanha, Cuba e África durante seus 61 anos de vida, nos quais testemunhou as duas guerras mundiais.

Nascido em 1899 em Oak Park, nos arredores de Chicago, a vocação de Hemingway não tardou a brotar. Pouco após terminar seus estudos, começou a trabalhar com apenas 17 anos como repórter no jornal "Kansas City Star".

Sua permanência no periódico mal durou um ano, mas Hemingway sempre lembrou o livro de estilo do jornal ("frases curtas, primeiros parágrafos curtos)" como guia para sua ágil escrita, que posteriormente inspiraria imitadores.

À primeira oportunidade que teve, o então jovem Hemingway abandonou os Estados Unidos e partiu ao front para trabalhar como motorista de ambulância na frente italiana durante a Primeira Guerra Mundial, de onde retornou ferido e com restos de estilhaços nas duas pernas.

Como correspondente do diário "Toronto Star", voltou à Europa e viveu em Paris durante a década de 1920 junto à chamada "Geração Perdida", um grupo de escritores americanos entre os quais estavam Gertrude Stein, Ezra Pound, John Dos Passos e F. Scott Fitzgerald.

Nessa época, uma das mais prolíficas de sua carreira, publicou dois de seus romances mais reconhecidos, "O Sol Também Se Levanta" (1926) e "Adeus às Armas" (1929).

A guerra, um dos grandes temas literários de Hemingway, voltou ao trabalho do escritor com a eclosão da Guerra Civil Espanhola (1936-39), conflito que ele cobriu como correspondente em Madri.

Hemingway já tinha então se casado duas vezes e comprado uma casa em Key West, ilha no sul da Flórida onde cultivava duas grandes paixões além da literatura: a bebida e a pesca.

Posteriormente, após o sucesso de "Por Quem os Sinos Dobram" (1940), voltaria à Europa para cobrir o Desembarque da Normandia na Segunda Guerra Mundial e a libertação de Paris da ocupação nazista.

"Todos os bons livros têm algo em comum, são mais verdadeiros que se as coisas tivessem realmente ocorrido", era uma de suas frases mais repetidas ao ser questionado sobre a veracidade de seus escritos.

Mulherengo, boêmio e nômade, encarnava a lenda do escritor errante na busca de histórias para sua máquina de escrever, que datilografava sempre de pé.

"Sempre faça sóbrio o que você disse que faria bêbado. Isso lhe ensinará a manter a boca fechada", era outro de seus irônicos lemas.

Casou-se pela terceira vez e foi viver em Cuba, na Finca Vigía, onde concluiu "O Velho e o Mar", breve e renomado romance sobre um dia no mar de um velho pescador cubano, pelo qual recebeu o Prêmio Pulitzer em 1953.

Nos anos 40, Hemingway descobriu o continente africano, aonde viajou várias vezes para praticar outro grande passatempo: a caça, numa época magnificamente retratada em um de seus relatos mais conhecidos, "As Neves do Kilimanjaro" (1960).

Esteve a ponto de morrer após sofrer acidentes aéreos, que o deixam seriamente ferido e o impediram de viajar a Estocolmo para receber em 1954 o Prêmio Nobel de Literatura.

Após Mark Twain e Jack London, Hemingway é o escritor americano mais traduzido a outros idiomas.

Em 1960, abandonou definitivamente Cuba, com a saúde debilitada, Hemingway ficou recluso em sua residência de Ketchum, no estado americano de Idaho. Um ano e meio depois, com três romances ainda pendentes, Hemingway cometeu suicídio.

Seu último livro veio à tona, paradoxalmente intitulado "Paris é uma Festa", uma jovial celebração de seu anos de juventude na capital francesa.

Nos Estados Unidos, seus fãs lembram seu legado nos chamados "Hemingway Days" no fim de julho, coincidindo com a data de seu nascimento (dia 21), com diversos eventos em Key West entre os quais está um sarau de contos promovido por sua neta, a também escritora Lorian Hemingway.

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