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26.5.12

Livros

O historiador Robert Darnton fala sobre o futuro do livro

DANIEL SILVEIRA

O trabalho conjunto de mais de 40 instituições de ensino e pesquisa dos Estados Unidos vai inaugurar, em abril do próximo ano, uma biblioteca pública com 2 milhões de livros em formato digital, acessíveis em qualquer parte do mundo.

A Digital Public Library of America (DPLA) vai ser criada para buscar a democratização do conhecimento, um objetivo “revolucionário”, afirma o historiador Robert Darnton, um dos principais envolvidos na empreitada.

Professor da Universidade Harvard (EUA) e um dos mais proeminentes pesquisadores sobre o Iluminismo e a história dos livros, Darnton chega ao Brasil neste mês para participar do 4º Congresso Internacional CULT de Jornalismo Cultural.

Na entrevista abaixo, ele diz que o desenvolvimento da tecnologia, que permite a comunicação sem fronteiras, faz com que o momento atual seja análogo às Luzes do século 18. “Temos a capacidade técnica de realizar o sonho do Iluminismo, de realmente disponibilizar o conhecimento para as pessoas e nos comunicarmos abertamente por todo o mundo”, disse.

De volta ao país após participação na Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) em 2010, Darnton exalta na entrevista abaixo a intelectualidade brasileira, que, afirma, ainda não tem o reconhecimento que mereceria internacionalmente.

“Quando viajo ao Brasil, me pego envolvido em conversas que acho mais interessantes do que as que tenho na margem esquerda do Sena, em Paris”, diz.

CULT – O senhor trabalhou como jornalista do New York Times no início da carreira. Como vê o atual momento da imprensa mundial, com a crise dos jornais impressos, o crescimento da internet, a propagação dos tablets e a premiação de um agregador de notícias, o Huffington Post,  no Pulitzer deste ano?

Robert Darnton – Preciso confessar que estou pessimista com o declínio dos jornais diários impressos. O problema está na estrutura dessa indústria. Um exemplo disso são os classificados, que sempre serviram como parte da renda de um jornal, mas que estão migrando totalmente para a internet. Os jornais diários não são mais economicamente viáveis.

Há apenas algumas exceções, poucos jornais que vão continuar prosperando. Sempre haverá espaço para o New York Times, por exemplo, pois é um jornal de excelente qualidade, que satisfaz uma necessidade de leitores que buscam cobertura de correspondentes em todo o mundo, com aprofundamento e qualidade.

Ao mesmo tempo, vamos ter que aprender como o jornalismo digital realmente irá funcionar. Não podemos questionar a importância do jornalismo online independente que se desenvolveu no Egito e nos outros países da região durante a Primavera Árabe. A questão é saber se o jornalismo de blog e de agregadores, como o Huffington Post, irá se consolidar.

O que achou do Pulitzer dado ao Huffington Post?

Eles operam de forma completamente diferente. Já publiquei textos ali a convite deles e descobri que têm um lado bastante sério. Da mesma forma, a New York Review of Books, para a qual contribuo regularmente, tem um blog em que são publicados textos jornalísticos de alto nível.

Acho que o espectro de reportagem online é muito amplo. Muito do material é amador e inadequado, mas há publicações mais sérias e de qualidade.

A questão que fica em aberto é a economia por trás disso tudo. Não se pode saber o que vai acontecer a longo prazo.

Daqui a um ano a DPLA estará no ar, com 2 milhões de obras disponíveis na internet. O senhor sempre pesquisou a história dos livros e agora está envolvido neste projeto que vai moldar o futuro deles.  O que acontece agora é comparável aos avanços ocorridos durante o Iluminismo, no século 18?

Acho que podemos, sim, comparar com o Iluminismo, mas não funciona em todos os aspectos.

Para os filósofos, o Iluminismo dependia da comunicação, especialmente da palavra impressa, como motor do progresso. Entretanto, no século 18 as taxas de alfabetização eram muito baixas, e o desenvolvimento econômico não apoiava um mercado editorial vibrante.

Hoje, com a internet, parece que temos a capacidade técnica de realizar o sonho do Iluminismo. Neste ponto, os séculos 18 e 21 se complementam, quanto ao sonho de realmente disponibilizar o conhecimento para as pessoas e nos comunicarmos abertamente por todo o mundo.

A diferença que existe é que os filósofos do Iluminismo associavam esta fé na palavra impressa ao seu próprio programa de defesa de igualdade perante a lei, à qualidade social, ao fim da censura, à restrição ao poder da Igreja Católica, etc.

Hoje não temos nada assim. Temos muitas pessoas, com diferentes interesses, tentando se comunicar pela internet. Isso não é a mesma coisa que o engajamento intelectual que era central ao Iluminismo. Era uma tentativa dos intelectuais de usarem a mídia para mudar a sociedade.

Isso acontece em torno de nós hoje, claro, mas não é o trabalho de intelectuais de vanguarda com um programa específico em mente.

O New York Times disse que a DPLA estava atrasada em relação a projetos semelhantes de bibliotecas digitais da Europa. Que diferenciais o projeto norte-americano irá trazer?

Já avançamos bem no desenvolvimento tecnológico da DPLA. Estamos trabalhando para que ela seja ligada ao sistema da Europeana, que é a biblioteca digital europeia.

É verdade que a Europeana veio antes e que fez um trabalho excelente com livros, museus e documentos digitalizados. Eles mostraram o caminho para catalogar e relacionar documentos digitalizados, mas o problema da Europeana é que ela tem fundos limitados, um orçamento de 5 milhões de euros por ano, pagos pela União Europeia, o que não é muito para este tipo de operação.

O que pretendemos fazer na DPLA é ir além disso. Queremos encorajar iniciativas independentes de bibliotecas espalhadas pelo país a digitalizarem trabalhos próprios, que interessem a públicos locais e sirvam a comunidades espalhadas.

Além disso, queremos trabalhar com a preservação de documentos.

A escala da operação e a profundidade do conteúdo da DPLA são sem precedentes, e isso irá crescer sem limites.

De qualquer forma, os projetos internacionais precisam ajudar uns aos outros, oferecendo recursos culturais para todo o mundo. Espero que o Brasil tenha um papel nisso. Sei que há um esforço de digitalização na sua Biblioteca Nacional e em coleções históricas de São Paulo, mas não sei o suficiente sobre o assunto e pretendo me informar melhor durante minha visita ao país.

Como iniciativas como essas irão mudar a forma como as pessoas lidam com livros?

Não queremos que a DPLA sirva apenas para pesquisas acadêmicas, por mais que de fato seja um trunfo para pesquisadores. Queremos que seja usada por um público amplo, e nos preocupamos com seu uso educacional.

Aqui nos EUA nós temos os community colleges, instituições que oferecem cursos de graduação de dois anos para estudantes mais pobres que não conseguiram vagas em cursos universitários completos, de quatro anos. Essas instituições são cruciais para o avanço intelectual e econômico para os menos privilegiados.

A DPLA irá tentar ajudar essas pessoas, servindo de biblioteca para essas instituições – que muitas vezes não têm estrutura – e oferecendo um acervo equivalente ao que pode ser encontrado em uma instituição como Harvard.

Esperamos que a DPLA tenha um papel na democratização do conhecimento, tornando os livros acessíveis ao público amplo. Isso é revolucionário, pois bibliotecas sempre foram muito fechadas ao público em geral.

Qual será o futuro das bibliotecas físicas? Elas continuarão existindo?

Elas terão que se adaptar e adquirir uma nova importância, pois irão mudar de função. As bibliotecas estão se tornando sistemas nervosos intelectuais. As pessoas as frequentam em grupos para estudar, discutir e trabalhar coletivamente de um modo que não existia antes. As bibliotecas de universidades estão cada vez mais vibrantes, por mais que tenham cada vez menos foco em apenas oferecer livros.

Os bibliotecários estão mudando de função também, passando a ajudar as pessoas que vão às bibliotecas a usar a internet, por exemplo. As pessoas se perdem facilmente no ciberespaço. Precisam de ajuda para usar bem a internet, e os bibliotecários estão se tornando consultores e curadores no novo mundo digital.

Com o crescimento do mercado de livros digitais aravés da Apple e Amazon, especialmente, cria-se um debate a respeito dos direitos do autor e da pirataria. Como a DPLA irá lidar com essa questão potencialmente explosiva?

Direitos autorais são sempre um enorme problema. Não vamos poder modificar os direitos autorais no nosso trabalho na DPLA por ser uma questão política muito complicada.

Pessoalmente, acho que os direitos autorais duram tempo demais, 70 anos. Isso impede que os livros caiam em domínio público, onde deveriam estar após exaurir seu apelo comercial.

Em princípio, sou a favor da revisão das leis de direito autoral, mas não acho que isso seja politicamente possível. Precisaremos achar uma forma de disponibilizar livros que são cobertos por direitos autorais, mas estão esgotados.

Claro que a própria ideia de “esgotado” está se tornando obsoleta, já que as editoras cada vez mais trabalham com livros digitais, que estarão disponíveis sempre, sem se esgotar.

De qualquer forma, a DPLA não vai infringir os direitos autorais. Há uma possibilidade de tentarmos rever a questão de direitos autorais de “livros órfãos”, que são livros cujos donos dos direitos autorais não podem ser encontrados. Há algo entre 1 milhão e 2 milhões de livros nas bibliotecas dos EUA que seriam cobertos pelos direitos autorais, mas cujos donos não podem ser encontrados por um ou outro motivo.

Queremos mudar a lei neste ponto para podermos disponibilizar esses livros.

Em entrevistas dadas nos últimos anos o senhor diz não ter se adaptado aos leitores digitais. Continua preferindo os livros impressos?

Pode parecer chocante, mas ainda não uso leitores digitais. Não tenho nada contra eles, e muito do meu trabalho já é oferecido em formato digital, mas eu sou tradicionalista, gosto do papel impresso e adoro livros, onde posso virar as páginas.

Mas o fato é que os leitores digitais estão ficando cada vez melhores e mais baratos e já oferecem muitas vantagens para quem os usa.

O senhor vem ao Brasil para participar do 4° Congresso Internacional CULT de Jornalismo Cultural. Que papel o Brasil pode ter no debate sobre a cultura? Apesar de a economia estar crescendo, qual o prestígio do Brasil em termos de artes, letras e comunicação?

O que mais me impressiona é a saúde do mercado editorial no Brasil, um território rico para livros e publicações sérias. As pessoas têm concepções erradas sobre o Brasil e ainda se prendem a clichês relacionados a praias e música popular, mas o que me impressiona é a qualidade da intelectualidade brasileira, que é rica e bem informada.

Quando viajo ao Brasil, me pego envolvido em conversas que acho mais interessantes do que as que tenho na margem esquerda do Sena, em Paris. A originalidade das publicações brasileiras vai falar por si só e vai exigir atenção do resto do mundo.

Vejo isso acontecendo especialmente na literatura histórica, onde várias pessoas, como [a antropóloga] Lilia Schwarcz, têm muitos leitores fora do Brasil.

Os escritores brasileiros sempre foram muito cosmopolitas em seus interesses e muito bem informados em relação ao que ocorre fora do país. E, agora, é a vez de os estrangeiros começarem a prestar atenção no que acontece no Brasil.

22.5.12

Ferréz: Literatura E Resistência


Ferréz

Quinze anos de literatura e resistência


Criativo em vários gêneros e empreendedor pela cultura periférica, Ferréz prepara romance surpreendente, que confirmará sua condição de grande escritor


Por Antonio Eleilson Leite, na coluna Literatura Periférica

No editorial da edição de maio da Agenda Cultural da Periferia, publicação da ONG Ação Educativa, estão enumeradas vinte efemérides relacionadas com o ano de 2007 e que foram importantes para a cultura na periferia . Começa com a própria Agenda, lançada naquele ano e os vinte anos da Rádio Heliópolis FM que há cinco passou a ter vida legal como rádio comunitária. Dentre os outros dezoito marcos do ano de 2007 mencionados texto, tem o surgimento da Coleção Literatura Periférica na Global Editora, a Coleção Pelas Periferias do Brasil e a loja Suburbano Convicto, ambas iniciativas de Alessandro Buzo, os dez anos do CD Sobrevivendo no Inferno, do Racionais MC’s , entre outros acontecimentos.

De fato, é algo notável. Talvez 2007 tenha sido realmente um divisor de águas. Porém, toda lista, por mais ampla que seja, é sempre restritiva e sujeita a omissões. Esta justa homenagem da Ação Educativa não se livrou desse risco. Faltou pelo menos uma efeméride muito importante. Naquele ano de 2007, o escritor Ferréz comemorava dez anos de carreira literária. Em 1997, ele publicou seu primeiro livro, uma obra de poesia chamada Fortaleza da Desilusão. Ou seja, neste ano de 2012, Ferréz faz 15 anos de intensa atividade literária. Reginaldo Ferreira da Silva tinha 22 anos quando, de tanto ler livros, resolveu fazer um para chamar de seu.

Falemos então deste escritor, músico, poeta e empreendedor de 36 anos. E para abordar a trajetória do escritor, ativista e empreendedor Ferréz, assisti novamente o documentário Literatura e Resistência. Dirigido por ele mesmo e lançado em 2009, este DVD conta sua história com o auxilio luxuoso de amigos de quebrada, cultivados desde a infância, e de parceiros conquistados a partir de sua notoriedade como escritor — gente ilustre como Chico Cesar, Marcelino Freire, Paulo Lins, Lourenço Mutarelli, entre outros. Vídeo feito na raça, com muita imagem registrada com equipamento doméstico, fragmentos de programas de TV, mas também vários registros bem produzidos. O resultado é uma compilação iconográfica da trajetória deste que, como diz Chico Cesar logo na abertura, é um dos principais escritores brasileiros da atualidade.

O título do vídeo faz jus ao que é exposto na obra. Veja: não é literatura de resistência, é Literatura e Resistência. A palavra resistência, tão desgastada quando pronunciada na voz de militantes que só sabem ficar na defensiva, ganha conotação libertária ao expressar a determinação com que Ferréz realizou seus projetos. Tudo conspirava contra o cara, mas ele não só contrariou as estatísticas, como inverteu a lógica do destino. Por isso, a definição que mais se ouve nas falas dos entrevistados ao se referirem a ele é “herói”. Mas tudo que ele não quer é ser um herói. Embora sendo um fanático leitor de quadrinhos, a figura de um notável entre os comuns, que tem a missão de salvação, não lhe cai bem. Ele é 1 Da Sul . O nome de sua grife e loja quer dizer união: “somos todos um pela dignidade da Zona Sul”.

Ferréz era visto na quebrada como aquele sujeito esquisito. Não bebia, não fumava, não gostava de futebol (até hoje ele é assim ). Só queria saber de ler, por isso era isolado. Mas não parava de pensar na sua comunidade, o Jardim Comercial, um bairro no imenso distrito do Capão Redondo, território periférico onde moram mais de 200 mil habitantes. Sempre trabalhou, desde cedo teve que ajudar a mãe nos cuidados com os irmãos. Nunca exerceu qualquer função que exigisse alta qulificação. Foi assistente de pedreiro, balconista de padaria, faxineiro, auxiliar de escritório, entre outras ocupações. Mas sua vasta experiência de serviços gerais lhe deu um senso prático e conhecimentos tão diversificados que costumava impressionar seus amigos que o identificavam como um “sabe-tudo”.

Provavelmente a impressão que se tinha de Ferréz na quebrada era um peão metido a intelectual. Mas ele não era arrogante. Aliás, muito humilde. Há uma passagem marcante no vídeo que mostra bem isso . Ao publicar seu livro Fortaleza da Desilusão, proeza alcançada graças a um inusitado apoio de sua então patroa, apreciadora de poesias, Ferréz fez contato com uma distribuidora de livros, pois não sabia o que fazer com quase mil exemplares da obra. O livreiro pediu dez exemplares do livro e ele, com ajuda de um amigo perueiro, levou todo o estoque para a distribuidora que ficava no Brás. Insensível, o distribuidor não quis sequer armazenar os livros em seu estoque, ficando apenas com a dezena de exemplares combinada.

Desiludido, Ferréz sentou-se sobre os pacotes do Fortaleza da Desilusão. Meio que esperando um milagre, ali ficou até o anoitecer, protegendo os livros do assédio dos catadores de papelão que rondavam o local, ávidos pelo lote que devia pesar cerca de 300 quilos. A solidariedade enfim chegou. O dono do bar vizinho à distribuidora abordou o jovem poeta, oferecendo seu modesto estabelecimento para guardar os pacotes. Ferréz ficou mais de uma semana buscando diariamente uma cota de livros que coubesse em sua mochila, até transportar todos os exemplares de volta para casa. Era para desistir. Mas ele, humildemente, resistiu.

Ferréz abandonou sua veia poética, pelo menos o estilo de seu frustrado livro de estreia, que flertava com a poesia concreta. Criou outras rimas depois, como compositor e cantor de rap. Muitas delas estão na trilha sonora do DVD e nos clipes dos extras. Vale a pena conferir, especialmente o clipe da música Judas, que tem um sampler da canção Child in Time do Deep Purple, algo improvável para um rap. Mas sua incursão como MC é algo que surge com força somente depois do sucesso como escritor. Voltando ao fatídico final de século XX, ele se meteu a produzir roupas e acessórios. Surgiu em 1999 a 1Da Sul. Assim como não era poeta e se propôs a fazer poesia, ele também de roupa não entendia, mas criou uma grife. Cumpriu na prática o que diz a canção dos Titãs: “eu não sei fazer música, mas eu faço; eu não sei cantar as músicas que faço, mas eu canto”.

Sua empresa surgiu de uma brincadeira, conta ele com muita graça no vídeo. No dia primeiro de abril, soltou uma mentira de que surgira uma grife na quebrada com o nome 1 Da Sul; que fazia roupas e coisa e tal; que estava bombando na quebrada. Os manos não deram atenção ao devaneio do poeta, mas Reginaldo insistiu na anedota e de tanto brincar com o feitiço, se fez de feiticeiro. Coisa de maluco mesmo. Levaria páginas para descrever algumas das agruras do início de seu negócio. Veja o documentário e depois vá à Avenida Comendador Santana, no Centro do Capão e confira a loja bacana que é. Se não quiser ir á perifa, tem uma filial na galeria da rua 24 de Maio no Centro.

O empreendedor, portanto, surgiu antes do escritor. E talvez se não fosse empreendedor não teria sido escritor, ou pelo menos não teria persistido (resistido) até se tornar escritor. Um ano depois de criada a 1Da Sul, Ferréz lançou o romance Capão Pecado. Publicado pela extinta editora Labortexto, o livro ganhou notabilidade impulsionado pela atuação de Ferréz como colunista na revista Caros Amigos. Contribuiu também para seu reconhecimento a inserção do autor na militância política. A esquerda vivia a conquista de Lula nas eleições de 2002, numa conjuntura marcada pelo advento do Fórum Social Mundial, que teve sua primeira edição em 2001 se tornou espaço de convergência dos que acreditavam que outro mundo era possível.

Era, enfim, um contexto oportuno para uma inciativa como esta. Uma voz da periferia ganha as páginas de um livro. Mas nada disso adiantaria se não fosse uma grande obra. Um romance bem estruturado, que já respira a benéfica influência do livro Cidade de Deus, de Paulo Lins, grande sucesso editorial adaptado para o cinema pelas lentes de Fernando Meirelles. Se não tivesse méritos literários, portanto estéticos, Capão Pecado não teria vendido cerca de 100 mil exemplares e se mantido com vigor e presença na literatura atual, doze anos depois. Quer saber mais dessa e de outras histórias, além de ver o DVD, leia o livro da Erica Peçanha: Vozes Marginais na Literatura.[1]

O jovem esclarecido da periferia, poeta frustrado porém não derrotado, virou empreendedor, escritor e ativista cultural radical e lúcido. Antes de publicar seu segundo livro, Manual Prático do Ódio, em 2003, Ferréz produziu, pela Caros Amigos, três suplementos intitulados Literatura Marginal. Lançou dezenas de poetas e escritores de periferias de todo o Brasil. Sua grife se expande. Passa a ser reconhecido como escritor de prestígio com seu segundo romance. É traduzido em países como Espanha, Itália, México e Alemanha. Excursiona no exterior, participa de inúmeros eventos literários: enfim, torna-se uma notoriedade. Mas ele ainda resiste.

Aquela angústia que o consumiu sentado sobre os pacotes de livros na calçada do Brás passou a ser uma história a ser lembrada como fábula. O distribuidor que o subestimou, para não dizer outra coisa, certamente vendeu muito livro do Ferréz. No prefácio da primeira edição do Capão Pecado, quando o livro passou a ser publicado pela Editora Objetiva, em 2005, ele conta que, depois do sucesso do livro, foi fazer palestra no hotel que o havia rejeitado como faxineiro. Faculdades e escolas frequentadas pela burguesia convidavam-no para palestrar. Numas dessas, mostra o vídeo, ele desafia os jovens de bochecha rosada a procurar um negro nas inúmeras fotos de alunos expostas em um enorme bâner que servia de fundo para o auditório onde a conversa se dava. Ele gostava de causar constrangimentos ao sistema.

Em 2004, Ferréz perdeu um grande amigo, Preto Ghóez, líder do grupo Clã Nordestino, morto em um acidente de carro. Maranhense, comunista radical, Preto Ghóez surge no DVD numa rara imagem para deixar sua mensagem em forma de bordão: “todo ódio à burguesia é pouco”. Ferréz sempre zelou pelo legado de Ghóez e a aparição deste no vídeo confere ao documentário ainda mais valor. Ghoéz publicou poemas nos suplementos de Caros Amigos. Dois deles saíram na coletânea Literatura Marginal – Talentos da escrita Periférica, que Ferrez publicou na Editora Agir em 2005, em mais uma inciativa promovendo a literatura da periferia, agora numa grande editora comercial.

O ano de 2006 é dramático para a periferia e toda a cidade de São Paulo. Em maio, acontecem os ataques atribuídos ao PCC, que deflagram uma violenta reação da Polícia Militar. Tempos de pânico, medo e desilusão. Ferréz se vê perseguido. Refugia-se na casa de Paulo Lins, longe da capital paulista. Naquele mesmo ano, publica seu terceiro livro, com o sugestivo nome de Ninguém é Inocente em São Paulo, sua estreia como escritor de contos. Passada a tormenta, veio um tempo de discrição. Ferréz, creio, passa a refletir mais sobre sua obra e condição de escritor. Muita gente que ele publicou passou a produzir seus próprios livros. Ele se volta mais a sua carreira.

Chega então o histórico ano de 2007; dez anos de Fortaleza da Desilusão. Ferréz publica um livro infantil: Amanhecer Esmeralda, mais um sucesso. Isso, curiosamente não é abordado no vídeo. Parece-me algo tão significativo na carreira dele, deveria estar lá. Mas naquele ano, Ferréz participa de um projeto ao qual se refere com muito orgulho. Trata-se da coletânea Cenas da Favela – As melhores histórias da periferia brasileira, organizada pelo escritor Nelson de Oliveira e publicada pela Editora Geração Editorial (que assim como a Agir, faz parte do grupo Ediouro). Nesta obra, Ferréz aparece ao lado de Carlos Drummond de Andrade, Rubem Fonseca. Lygia Fagundes Telles, Paulo Lins e outros grandes nomes da literatura brasileira. Mais um livro que o distribuidor do Brás vendeu muito.

Ferréz chegava à maturidade com pouco mais de 30 anos. Ele dá sinais evidentes de preocupações estéticas. No vídeo discorre longamente sobre suas principais influências. Como escritor experimentado, caracteriza cada um dos autores que lhe são caros: Hermann Hesse, Lima Barreto, Plinio Marcos e João Antonio. Retira livro a livro das prateleiras de sua vasta biblioteca, comentando um por um com a autoridade de um escritor consciente do valor de sua obra e do tributo que paga à linhagem de escritores que o formaram.

O professor Antonio Cândido, na sua clássica obra Literatura e Sociedade nos ensina sobre a relação do autor com o grupo social do qual faz parte. Didaticamente, como lhe é característico, Cândido enumera os pontos dessa relação. Primeiro, a necessidade de um agente individual tomar para si a tarefa de criar uma obra. Em seguida, vem o reconhecimento (ou não) como criador, pela sociedade. Por fim, o autor usa a obra (marcada pela sociedade) como “veículo de suas aspirações individuais mais profundas”[2]. Ferréz parece cumprir na prática, a teoria de Antonio Cândido. Mas falta, a este grande escritor da periferia, o devido reconhecimento do meio acadêmico: por seus méritos literários e não só por sua atuação e condição social como é comum nos estudos que lhe têm como objeto.

Em 2012, Ferrez lançará mais um livro. Será outro romance. O nome da obra é Deus foi almoçar. Ele andou fazendo leitura do livro em alguns saraus e há trechos no blog do escritor (www.ferrez.blogspot.com). Muita gente vai se surpreender com o estilo e a trama. Ele se desvincula um pouco da escrita e, principalmente, da temática que o consagrou. Não. Ferréz não está abandonando suas origens. Mas creio que ele está explorando uma nova concepção estética e isso é muito bom. Antonio Candido explica, na mesma obra citada anteriormente, que embora o texto sempre esteja imbricada com o meio social, os “impulsos pessoais predominam na verdadeira obra de arte sobre quaisquer elementos sociais a que se combinem”[3]. Portanto, Ferréz, aventure-se por novas formas. Afinal, na arte, forma é conteúdo. Explore ao máximo seu talento e parabéns pelos 15 anos de literatura e resistência.

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1 Dissertação de mestrado da autora, publicado pela Editora Aeroplano na Coleção Tramas Urbanas, Rio de Janeiro, 2009

2 Mello e Souza, Antonio Candido, Literatura e Sociedade, capítulo “A literatura e a vida social”, pag. 23, Publifolha, São Paulo, 2000.

3 Ibid, pag. 33

20.5.12

RIO+20


Um guia de leituras para compreender os encontros, seu contexto e os caminhos para a sustentabilidade sócio-ambiental — inclusive no Brasil




Rio+20: o roteiro de Ladislau Dowbor



Por Ladislau Dowbor*

Pontos de referência

Primeiro, se você se sente confuso relativamente à Rio+20, bem vindo ao clube. O desafio, no entanto, é simples. Por um lado, agravam-se os dramas do aquecimento global, da liquidação das florestas originais, da destruição da vida nos mares, da perda de solo agrícola, da redução da biodiversidade, do esgotamento de recursos naturais críticos. Por outro lado, temos um bilhão de pessoas que passam fome, destas 180 milhões são crianças, e destas entre 10 e 11 milhões morrem de inanição ou de não acesso a uma coisa tão prosaica como água limpa, ou seja, 30 mil por dia, dez torres gêmeas em termos de mortes por dia. Morrem no silêncio da pobreza, não rendem o mesmo espetáculo para a mídia. Não estamos matando, deixamos morrer. Um terço da humanidade ainda cozinha com lenha. Já morreram 25 milhões de Aids, enquanto discutimos o valor das patentes. Isto num planeta que graças a tantas tecnologias é simplesmente farto. Produzimos no mundo 2 bilhões de toneladas só de grãos, o que equivale a 800 gramas por pessoa e por dia, sem falar de outros alimentos. Se dividirmos os 63 trilhões de dólares do PIB mundial pelos 7 biliões de habitantes, são 5400 reais por mês por família de quatro pessoas. Com o que produzimos poderíamos todos viver com paz e dignidade. E temos 737 grupos corporativos mundiais, 75% deles de intermediação financeira, que controlam 80% do sistema corporativo mundial, o que explica o número de bilionários. No conjunto, buscam maximizar os lucros, ainda que o planeta entre em crise financeira e produtiva generalizada. A simplicidade do desafio, é que estamos acabando com o planeta para o benefício de uma minoria. Houston, we have a problem.

Em outros termos, há uma convergência de processos críticos, o ambiental, o social e o econômico. E o denominador comum dos três processos, é o problema da governança, de gestão da sociedade no sentido amplo. Sabemos administrar unidades, uma empresa, uma repartição pública, uma organização da sociedade civil. Estamos apenas aprendendo a articular o conjunto para o bem comum, e isto, gostemos ou não, é política. Enfrentamos problemas globais quando as estruturas políticas realmente existentes estão fragmentadas em 194 estados-nação. Ao tripé que aparentemente recolhe a nossa unanimidade – uma sociedade economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente sustentável – precisamos portanto hoje acrescentar o pilar da governança, os desagradáveis assuntos políticos, saber quem tomará as decisões, de onde virá o financiamento, como será realizado o seguimento e o controle. A Rio-92 desenhou os desafios do tripé de maneira competente, com a Agenda 21 e as grandes convenções do clima e da biodiversidade. Sabemos sim para onde ir. A Rio+20 terá o desafios mais espinhoso de enfrentar o dilema da governança, da criação de estruturas político-institucionais que façam acontecer. Não é uma opção, é uma necessidade. Com o agravamento dos processos planetários, estamos, como diz Ignacy Sachs, condenados a inovar.

Não tenho na presente nota nenhuma pretensão de apresentar respostas para dilemas deste porte. Mas pareceu-me útil fazer uma pequena resenha de documentos que me têm passado pelas mãos, uma forma prática de facilitar a vida de quem está buscando boas leituras.

Sistematização dos desafios

No geral mesmo, a leitura básica me parece ser o curiosamente chamado Plano B 4.0 de Lester Brown, disponível online e gratuitamente, em português. Trata-se essencialmente de um roteiro que apresenta de maneira simples cada um dos principais desafios, as medidas necessárias, os seus custos e factibilidade. O subtítulo do livro diz a que vem: Mobilização para salvar a civilização. Como Lester Brown atualiza constantemente os seus textos, estamos na crista da onda. Para quem maneja o inglês, aliás, vale a pena ler o seu pequeno estudo chamado World on the Edge: how to prevent environmental and economic colapse, leitura curta e genial que caracteriza a nossa crise civilizatória.

Na linha ainda das visões gerais, uma belíssima consulta online é o Keeping Track of our Changing Enviroment: from Rio to Rio+20 (1992-2012), também chamado Geo-5, publicado pelo PNUMA, que apresenta em gráficos muito didáticos, com curtos comentários, tudo que há de novo desde 1992: população, urbanização, alimentos, gênero, PIB, extração de recursos naturais, emissões, mudança climática, florestas, água, governança, agricultura, pesca, energia, indústria, tecnologia. Um instrumento de trabalho realmente de primeira linha em termos de dados básicos de como tem evoluído a situação do planeta nos últimos 20 anos.

No plano da análise em profundidade dos mecanismos, uma excelente leitura me parece ser o relatório encomendado pelas Nações Unidas, Building a Sustainable and Desirable Economy-in-society-in-nature, estudo que reuniu vários dos melhores especialistas do mundo, como Gar Alperovitz, Herman Daly, Juliet Schor, Tim Jackson e outros. O estudo encara efetivamente os principais mecanismos econômicos que temos de transformar: “Vamos precisar de uma ciência econômica que respeite os limites do planeta, que reconheça a dependência do bem estar do ser humano das relações e correção sociais, e que reconheça que o objetivo final é um bem estar humano real e sustentável, não apenas o crescimento do consumo material. Esta nova ciência econômica reconhece que a economia está situada numa sociedade e cultura que estão elas mesmas situadas no sistema ecológico de suporte da vida, e que a economia não pode crescer para sempre neste planeta limitado.” (iv)

Documentos oficiais básicos

Há naturalmente também os documentos oficiais. Podem deixar-nos irritados pelas insuficiências ou timidez, mas de toda forma são leituras necessárias. No plano geral, está o documento base a ser discutido na Rio+20, o chamado The Future we Want. Está centrado, como se sabe, “na busca da economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza.” Afirma também “a nossa decisão de fortalecer o marco institucional do desenvolvimento sustentável”, e apresenta 15 grandes desafios (segurança alimentar, água, energia, cidades etc.) Trata-se de um documento de 20 páginas, nada que ultrapasse o tempo que ficamos parados na Marginal Tieté. É um importante instrumento de construção de consensos.

Como há fortes debates sobre o que significa “economia verde”, é útil lembrar a definição do PNUMA: trata-se de um desenvolvimento que resulta em “improved human well-being and social equity, while significantly reducing environmental risks and ecological scarcities”, portanto bem-estar humano, equidade social, redução dos riscos ambientais e da escassez ecológica. Como a definição é abrangente, aqui também me parece que o problema não está no ‘verde’, e sim no ‘como’ se atinge os objetivos, na linha da cosmética corporativa ou das mudanças substantivas. As questões relevantes não são semânticas.

O documento brasileiro, “minuta para consultas”, apresenta os desafios do desenvolvimento sustentável, em 24 pontos, que envolvem tanto a erradicação da pobreza extrema e segurança alimentar, como equidade, papel do Estado, produção e consumo sustentáveis, até os temas tradicionais ambientais como água, energia, cidades e semelhantes. O conceito de economia verde é incluído como “economia verde inclusiva”. Segundo os autores, “com este importante ajuste conceitual, seria dado foco num ciclo de desenvolvimento sustentável com a incorporação de biliões de pessoas à economia com consumo de bens e serviços em padrões sustentáveis e viáveis.”(p.26) O capítulo III apresenta propostas importantes no plano institucional, e o IV resume as “propostas do Brasil para a Rio+20”. No total são 37 páginas, ainda um elenco tentativo de propostas, mas que dá uma boa ideia do que está na mesa de discussões.

Os dois documentos acima se apoiaram bastante no texto elaborado pelo painel convocado pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, o GSP (Global Sustainability Panel), chamado na versão em espanhol Gente resiliente em um planeta resiliente: un futuro que vale la pena eligir. Em 14 páginas, este documento dá conta do recado no sentido de valorizar os pontos chaves dos nossos desafios. Envolve a criação de um conselho global de desenvolvimento sustentável como marco institucional internacional, e dá particular importância à dimensão político-institucional: “O certo é que o desenvolvimento sustentável consiste fundamentalmente em que as pessoas tenham oportunidades para influir no seu futuro, exigir os seus direitos e expressar as suas preocupações. A governança democrática e o pleno respeito dos direitos humanos são requisitos indispensáveis para empoderar as pessoas e conseguir que façam opções sustentáveis. Os povos do mundo já não tolerarão que se continue a devastar o meio ambiente nem que persistam as desigualdades que ofendam o profundamente arraigado principio universal da justiça social…Ao mesmo tempo, há que alentar as comunidades locais para que participem ativamente e de forma coerente na conceituação, planejamento e aplicação de políticas de sustentabilidade. Para isto é fundamental incluir os jovens na sociedade, na política e na economia”. O resumo executivo em espanhol está em aqui.

Os manifestos

Em outro plano de documentos, há o que poderíamos chamar de manifestos éticos. Particularmente interessante é o manifesto de março 2012, assinado por 2800 cientistas reunidos em Londres, no quadro da conferência Planet Under Pressure: new knowledge towards solutions. O documento de 4 páginas apenas, State of the Planet Declaration, é duro e direto: “As pesquisas agora demonstram que o funcionamento continuo do sistema Terra tal como tem dado suporte ao bem estar da civilização humana nos séculos recentes está em risco. Na ausência de ação urgente, poderemos fazer face a ameaças à água, alimento, biodiversidade e outros recursos críticos. Estas ameaças colocam o risco de crises econômicas, ecológicas e sociais cada vez mais intensas, criando o potencial para uma emergência humanitária em escala global.” Segundo os autores, “o desafio que define a nossa era é a salvaguarda dos processos naturais da Terra para assegurar o bem estar da civilização com erradicação da pobreza, redução de conflitos por recursos, e suporte à saúde humana e do ecossistema. Com o consumo se acelerando por toda parte e o aumento da população mundial, já não é suficiente trabalhar com um ideal distante de desenvolvimento sustentável. A sustentabilidade global tem de tonar-se o fundamento da sociedade.” Trata-se aqui de um grito de urgência, que aponta para o que é talvez o nosso maior drama: o hiato entre a compreensão científica dos desafios que vivemos, e o pouco que é apreendido pelas populações em geral, submetidas a informações banais e a um martelar publicitário sem sentido. “Porque a vida é agora”, repete a propaganda de um grupo financeiro, como se não houvesse amanhã.

Neste campo das tomadas de posição ética, é preciso mencionar também um folheto publicado por Stéphane Hessel, francês de 93 anos, intitulado Indignez-vous, indignai-vos (publicado em inglês como A Time for Outrage). Um herói da resistência ao nazismo, traz com força a denúncia dos absurdos das corporações financeiras, dos sistemas fiscais que privilegiam os ricos, e trazendo apoio a todas as manifestações atuais de indignação, seja nos países árabes ou na Europa e nos Estados Unidos. Texto simples e eloquente, uma denúncia dos absurdos, e um apelo ao bom senso e à revolta. O folheto vendeu em poucos meses mais de 4 milhões de exemplares, e apesar da visão parcialmente centrada na França, tem um apelo universal. A notar também um livrinho de 60 páginas de Stéphane Hessel e de Edgar Morin, Le chemin de l’espérance, (o caminho da esperança), clamando por uma “consciência do momento dramático que vivemos para a espécie humana, dos seus ricos e perigos, mas também das suas chances”. As propostas são “por uma política de civilização”. Os dois textos mencionados são de 2011, e poderíamos ainda acrescentar o recente livro La Voie (o caminho) de Edgar Morin.

Como apelo universal à ética da sustentabilidade, podemos também incluir o “Chamado aos governos”, uma convocação para se elaborar uma Carta de Responsabilidades Universais na Rio+20, como complemento à Declaração Universal dos Direitos Humanos. É apresentado no Fórum Internacional da Ética e Responsabilidade, vejam em particular a proposta em português em. O chamado, de 5 páginas, é assinado por inúmeras instituições e personalidades. O contato para apoio é edith.sizoo@lc-ingeniris.com.

E incluiria também neste grupo o excelente ensaio de Leonardo Boff, Sustentabilidade: o que é – o que não é, publicado em fins de 2011 pela editora Vozes. É uma visão fortemente centrada em valores humanos, a busca do que Paulo Freire chamava de uma “sociedade menos malvada”. “O pior que podemos fazer é não fazer nada e deixar que as coisas prolonguem seu curso perigoso. As transformações necessárias devem apontar para outro paradigma de relação para com a Terra e a natureza e para a invenção de modos de produção e consumo mais benignos. Isso implica inaugurar um novo patamar de civilização, mais amante da vida, mais ecoamigável e mais respeitoso, dos ritmos, das capacidades e dos limites da natureza. Não dispomos de muito tempo para agir. Nem muita sabedoria e vontade de articulação entre todos para enfrentar o risco comum”. www.leonardoboff.com ou http://vozes.com.br;

A questão chave do poder financeiro

Aparentemente sem conexão com a Rio+20, mas que a meu ver tem muito a ver, é a pesquisa do Instituto Federal Suiço de Pesquisa Tecnológica – ETH na sigla em alemão – sobre o poder global de controle das corporações. No essencial, como mencionamos acima, a pesquisa do ETH mostrou que 737 corporações, controlam 80% do sistema corporativo mundial, e nestas um núcleo duro de 147 controla 40% do total, 75% delas corporações financeiras. Na sua quase totalidade são americanas e europeias. Temos por tanto uma visão radicalmente nova do poder corporativo mundial. Note-se que o PIB mundial é da ordem de 63 trilhões de dólares, enquanto os derivativos emitidos (outstanding derivatives), papéis que dão direito a outros papéis, juros sobre juros – na prática especulação financeira – atingem 600 trilhões de dólares segundo o BIS de Basiléia. São papéis com pouco lastro, a procura de liquidez, o que gerou as imensas transferências de governos para bancos privados, o que por sua vez gera grande parte dos cortes em políticas sociais e ambientais do mundo rico. Para facilitar a vida de não-economistas, fizemos uma resenha com as principais conclusões, veja em as 10 páginas. A pesquisa do ETH foi publicada em outubro de 2011. É importante entender em que contexto econômico e financeiro mundial se dá a Rio+20. Um planeta sustentável com paraísos fiscais e com sistemas especulativos descontrolados sobre commodities, além dos financiamentos irresponsáveis que inundam o mundo de armas sem controle, francamente…

Neste plano, e entrando em defensiva, um conjunto de corporações financeiras lançou a The Natural Capital Declaration, na linha de “finanças inovadoras para a sustentabilidade”. O documento, de 3 páginas, constitui uma importante declaração de princípios “demonstrando nosso compromisso na Rio+20 de trabalharmos para integrar considerações sobe o capital natural nos nossos produtos e serviços financeiros para o século 21”. Comove sem dúvida, e naturalmente esqueceram a dimensão social, e o fato de estarem servindo mais especulação e apropriação de recursos públicos do que fomento produtivo, mas é uma tendência interessante. Está disponível online aqui.

No mesmo plano, e já com iniciativas realmente sérias, Hazel Henderson conduz há tempos um exercício importante de seguimento e avaliação do comportamento ‘verde’ das instituições financeiras, em particular de investidores institucionais como os fundos de pensão. Trata-se de imensos recursos. O sistema de seguimento do Green Transition Scoreboard 2012 mostra que nos últimos 5 anos estes fundos investiram 3,3 trilhões de dólares em energia renovável, tecnologias sustentáveis e semelhantes, com forte aumento de recursos a cada ano. Uma coisa são as motivações: claramente, estes fundos não estão sentindo pânico pela situação do planeta e dos pobres, e sim pela fragilidade dos papéis podres (junk) onde tradicionalmente realizavam aplicações. Financiar atividades ligadas à sustentabilidade aparece como uma alternativa cada vez mais viável em termos estritamente econômicos. Moralismos a parte, a reorientação de fundos especulativos para financiar sustentabilidade é sim absolutamente indispensável para fechar a conta das transformações necessárias. De certa forma, o capitalismo controlado pelo mundo financeiro é extremamente poderoso, mas na medida em que se transformou em cassino instável e improdutivo, de grande visibilidade e rejeição planetária, pode ter nesta dimensão financeira o seu lado mais vulnerável. A realidade é que esses imensos recursos são necessários para uso adequado nas reconversões sociais, ambientais e econômicas que temos pela frente. O Green Transition Scoreboard, que faz o seguimento destas mudanças, é neste sentido muito útil, e o trabalho de Hazel Henderson sempre inspira confiança. O documento está disponível no site CleanTechnica ou colocando o nome no Google.

Textos propositivos

No plano mais diretamente propositivo para a Rio+20, temos de dar destaque aos trabalhos de Ignacy Sachs, em particular ao artigo Os desafios da segunda Cúpula da Terra do Rio de Janeiro, publicado no encarte de janeiro 2012 do Le Monde Diplomatique Brasil, Sachs, veterano de Estocolmo 1972 e da Rio92, tem os pés bem firmes no chão. Considerando a fragilidade do sistema multilateral de decisões, dá uma importância central a que se aproveite a Rio+20 para traçar um roteiro concreto de planos nacionais de desenvolvimento sustentável, de fontes de financiamento (em particular a taxa Tobin), de sistemas de cooperação técnica por biomas (os semiáridos planetários, por exemplo, que enfrentam desafios muito semelhantes). Ou seja, a Conferência seria um ponto de partida para a construção de políticas nacionais, com sistemas diferenciados de cooperação e articulação com uma nova função das Nações Unidas. O texto de Sachs é o primeiro deste encarte, que apresenta 8 artigos de excelente qualidade, e dá uma visão geral dos desafios. O título geral do encarte é Sustentabilidade e Desenvolvimento: o que esperar da Rio+20.

Na mesma linha, um texto mais antigo nosso de 2010 continua plenamente atual, Crises e Oportunidades em Tempos de Mudança, de 21 páginas, fortemente centrado na convergência das crises, no resgate da dimensão pública do Estado e na capacidade de gestão pública. A parte propositiva, em 12 pontos, envolve o que nos pareceu como um programa mínimo para o resgate da racionalidade e equilíbrio do nosso desenvolvimento. É assinado conjuntamente por Ignacy Sachs, Carlos Lopes e Ladislau Dowbor. Uma versão bem humorada da parte propositiva pode ser encontrada no artigo “Os Dez Mandamentos – Edição Revista e Atualizada”, que traz mandamentos como Não Reduzirás o teu próximo à miséria e semelhantes. Textos publicados também pelo Instituto Paulo Freire e no Le Monde Diplomatique Brasil.

Para o caso específico do Brasil, um excelente pequeno documento é o “Acordo para o Desenvolvimento Sustentável”, elaborado no quadro do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e social), como contribuição para a Rio+20. Este pequeno documento sistematiza uma série de propostas de membros do Conselho, de numerosas organizações da sociedade civil, de acadêmicos, de especialistas como Ignacy Sachs, bem como de vários ministérios. É um documento particularmente equilibrado, centrado em grande parte na governança do processo.

Cumpre também mencionar o importante documento Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2010 elaborado pelo IBGE. Este balanço estatístico e analítico apresenta uma visão geral dos desafios, em quatro grandes capítulos, que focam a dimensão econômica, social, ambiental e institucional. Este último ponto é importante, pois sem a parte institucional, que envolve as políticas destinadas a tomar as decisões na direção do desenvolvimento sustentável, pouca coisa pode acontecer. De certa forma, trata-se de trabalhar com os quatro pilares, e não mais apenas com o tripé, o que envolve mudanças no processo decisório concreto. No conjunto são 55 grupos de indicadores, com breve análise. Na Rio+20 será apresentado o IDS-2012, com 62 grupos de indicadores e um avanço significativo na parte ainda relativamente mais fraca que é a institucional. Queria aqui reforçar a importância de se recorrer a este documento, que nos traz os dados primários concretos, quando a discussão frequentemente tende a se referir a dados afetados por visões ideológicas.

Evidentemente não é o lugar aqui de entrar no conjunto das propostas setoriais, referentes ao clima, água, florestas, saúde, educação e assim por diante. Há aqui inúmeras contribuições brasileiras acessíveis online, por exemplo de Ricardo Abramovay, de José Eli da Veiga e tantos outros. Há também a bela contribuição Os 50 + Importantes Livros em Sustentabilidade, da Universidade de Cambridge, publicado pela Editora Peirópolis em 2012. Leituras não faltam. Os textos que apresentamos acima ajudam sim na formação de uma visão de conjunto dos desafios e de a que vem a Rio+20 nas suas dimensões essenciais.

Um complemento apenas relativamente ao que me parece ainda as áreas mais fracas: neste mundo urbanizado, independentemente das grandes políticas planetárias e nacionais, há um imenso espaço para que cidades, individualmente ou em rede, façam a lição de casa. Esta é uma dinâmica em curso, envolvendo milhares de cidades pelo mundo afora, criando uma construção sustentável pela base. Não é suficiente, sem dúvida, mas cria gradualmente novas dinâmicas ao demonstrar de forma prática que um outro desenvolvimento é possível e funciona.

Igualmente frágil é a área de contas que façam sentido. O PIB não só é tecnicamente frágil, como induz a uma visão deformada do progresso. Temos de contabilizar o que realmente conta. Lembro-me de ter visto em Johannesburgo na África do Sul, painéis em lugares públicos que em vez de veicularem mensagens publicitárias informavam a população local sobre a evolução de indicadores essenciais como a mortalidade infantil, conexões de esgotos, acesso à água e assim por diante. Precisamos passar a medir o que realmente importa.

Outro eixo a ser fortemente expandido, o da participação política, está bem resumido na nota de Laura Rival, da Universidade de Oxford, para o UNRISD: “Para que as pessoas possam exercer as suas capacidades políticas, precisam antes reconhecer-se como cidadãos, mais do que como beneficiários ou clientes. Adquirir os meios de participar demanda também processos de educação popular e de mobilização que possa reforçar as habilidades e a confiança de grupos marginalizados e excluídos, dando-lhes meios para se engajarem em arenas participativas.” Não há “bala de prata” para assegurar a cidadania: envolve educação, inclusão produtiva, mídias democratizadas, acesso às tecnologias, segurança pessoal e assim por diante. É o desfio maior.

*Ladislau Dowbor é professor titular da PUC-SP, e consultor de várias agências das Nações Unidas. Os seus textos estão disponíveis online no site http://dowbor.org, em Creative Comons (livre uso não comercial)

16.5.12

Ouvindo o outro lado...para saber como mudar...inovar...renovar

O correto trabalho jornalístico.

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2012/05/15/cadeia-nacional-para-mae-do-pac-por-guilherme-fiuza-445165.asp



Cadeia nacional para a mãe do PAC
Guilherme Fiúza, ÉPOCA


Enquanto Dilma Rousseff se especializa em falar sozinha na TV, o presidente do PT avisa que o governo popular vai “peitar” a mídia. É compreensível.

A mídia é praticamente o único problema do Brasil atualmente. Se não fosse ela, não existiria corrupção no governo popular (o que os olhos não vêem, o coração não sente).

Infelizmente, a rede parasitária montada pelos companheiros em pelo menos sete ministérios foi parar nas manchetes. Não fosse essa invasão de privacidade, esquemas como o do Dnit com a Delta continuariam firmes na aceleração do crescimento.

Se não fosse a mídia para atrapalhar, o governo da presidenta falaria diretamente com o povo – sem esses assuntos azedos que só interessam à imprensa.

E já que jornalista só gosta de coisa ruim, o PT resolveu falar sozinho, em cadeia obrigatória de rádio e TV.

Dia da Mulher, Dia do Trabalhador, Dia das Mães e todas as datas simpáticas do calendário passaram a ser, também, Dia da Dilma. São os momentos em que a presidenta olha nos olhos do Brasil e diz a ele só coisas lindas, de arrepiar.

O comício contra os bancos no Primeiro de Maio foi inesquecível. Como governar é muito chato e trabalhoso, o PT resolveu voltar a ser estilingue (sem sair do palácio).

É o primeiro governo de oposição da história.

É muito melhor fazer comício contra juros altos (“peitar os bancos!”) do que organizar as finanças públicas, acabar com a farra tributária, abrir mão do fisiologismo, parar de gastar o dinheiro que não tem e controlar toda essa bagunça institucional que empurra para o alto a inflação – e os juros.

O povo está adorando esse governo de oposição, liderado por uma mulher corajosa que faz faxina em sua própria lambança e vira heroína.

No pronunciamento emocionante do Dia das Mães, que lançou o programa Brasil Carinhoso, só faltou uma palavra de carinho para a construtora Delta, que cresceu e engordou sob a guarda da Mãe do PAC.

Foi dentro do projeto de peitar a mídia que Lula insuflou a CPI do Cachoeira. A idéia era mostrar que a imprensa burguesa também estava no bolso do bicheiro e que o mensalão não existiu.

Quem sabe essas pérolas do romantismo petista não viram verdade no Dia dos Namorados, em mais um pronunciamento oficial da presidenta?

Fuentes




Carlos Fuentes

Carlos Fuentes Macías (Cidade do Panamá, Panamá, 11 de novembro de 1928 — Cidade do México, 15 de maio de 2012) foi um escritor mexicano.[1]

Estudou na Suíça e nos Estados Unidos da América. Foi embaixador do México na França. Lecionou em Harvard, Cambridge, Princeton e outras universidades norte-americanas de renome internacional. Viveu em outras grandes cidades como Quito, Montevideo, Rio de Janeiro, Washington DC, Santiago e Buenos Aires. Durante a sua adolescência voltou ao México, onde residiu até 1965.

Foram-lhe já atribuídos diversos prémios e distinções entre os quais o Prêmio Miguel de Cervantes, em 1987.

Perfil


Hijo de padres diplomáticos, Carlos Fuentes, el más prominente de los narradores mexicanos modernos nació en Panamá, el 11 de noviembre de 1928. Estudió en Suiza y Estados Unidos. Luego vivió por diferentes periodos en Quito, Montevideo, Río de Janeiro, Washington, Santiago y Buenos Aires. En su adolescencia regresó a México, donde se radicó hasta 1965. El tiempo que pasó en su país marcó definitivamente su obra, inmersa en el debate intelectual sobre la filosofía de “lo mexicano”. Su primer libro, “Los días enmascarados”, se publicó en 1954, y desde entonces Fuentes no ha dejado de preocuparse por la identidad mexicana y los medios adecuados para expresarla. Un hito fundamental en este clima de preocupaciones intelectuales, fue la fundación, en 1955 junto con Emmanuel Carballo y Octavio Paz, de la ya mítica Revista Mexicana de Literatura.

La repercusión que alcanzó con sus primeras novelas ( La región más transparente, en 1959; y La muerte de Artemio Cruz, en 1962) lo proyectó como una de las figuras centrales del llamado “boom” de la novela latinoamericana. Al igual que los demás intelectuales que participaron de este fenómeno, su compromiso político y social con ha sido, desde entonces, un un rasgo fundamental de su carrera intelectual: "Lo que un escritor puede hacer políticamente - afirmó en un ensayo para la revista Tiempo Mexicano, en 1972 - debe hacerlo también como ciudadano. En un país como el nuestro el escritor, el intelectual, no puede ser ajeno a la lucha por la transformación política que, en última instancia, supone también una transformación cultural."

Fuentes es graduado en Derecho en la Universidad Autónoma de México y en el Instituto de Altos Estudios Internacionales de Ginebra (Suiza). Ha sido delegado de México ante los organismos internacionales con sede en Ginebra, en el Centro de Información de la ONU en México, en la Dirección de Difusion Cultural de la UNAM y en la Secretaría de Relaciones Exteriores. Fue embajador de México en Francia (de 1972 a 1976) y jefe de la Delegación de México en la reunión del grupo de los 19 paises en desarrollo participantes en la Conferencia sobre Cooperación Económica Internacional.

Figura central e indispensable de la novelística moderna en castellano, entre los títulos más importantes de la obra de Fuentes destacan: “La región más transparente” (1959), “Zona sagrada” (1967), “Cambio de piel” (1967), “Terra nostra” (1975), “Cristóbal Nonato” (1987) y “Los años con Laura Díaz”. Otros títulos suyos de especial significación podrían ser “Agua quemada” (1981); “Gringo viejo” (1985) y la reciente “La silla del águila”. Fuentes mismo ha organizado su obra en un vasto árbol titulado “La edad del tiempo”, donde conviven sus novelas con sus libros de relatos y su prolífica labor de ensayista (que abarca desde el fundacional estudio “La nueva novela hispanoamericana” hasta el reciente “En esto creo” (2002). Ha recogido su obra suelta en numerosos volúmenes, tiene numerosos guiones cinematográficos y algunas piezas teatrales de gran originalidad (son notables, por ejemplo, sus obras “El tuerto es rey”, 1971, y “Orquídeas a la luz de la luna”, 1982).

Desde hace cuatro décadas, la vida de Carlos Fuentes es un periplo itinerante: lo mismo vive durante algunas temporadas en París que enseña en Princeton, Harvard, Columbia y Cambridge. Su intensa vida académica se resume en los título de Catedrático en las Universidades de Harvard (USA) y Cambridge (Inglaterra), así coma la larga lista de sus doctorados honoris causa (por las Universidades de Harvard, Cambridge, Warwick, Essex, Miami, Chicago...)

Algunos de los premios y reconocimientos que ha recibido el escritor mexicano son: Premio Biblioteca Breve, el Premio Nacional de Literatura de México (México), el Premio Rómulo Gallegos, el Premio Alfonso Reyes, el Premio Miguel de Cervantes, el Premio Menéndez Pelayo en 1992, la Legión de Honor francesa en 1992, el Premio Príncipe de Asturias de las Letras 1994, el I Premio a la Latinidad, concedido por las Academias francesa y brasileña de la Lengua, 1999, la Medalla de Honor Belisario Domínguez (que concede el Congreso de su país), y muchos otros.

Actualmente, Fuentes colabora en las más importantes revistas y publicaciones literarias de América Latina, Estados Undios y Europa.

Obra

    Los días enmascarados, 1954.
    La región más transparente, 1958.
    Las buenas conciencias 1959
    Aura, 1962
    A morte de Artemio Cruz (La muerte de Artemio Cruz, 1962)
    Cantar de ciegos, 1964.
    Zona Sagrada, 1967.
    Cambio de piel, 1967.
    Cumpleaños, 1969.
    La nueva novela hispanoamericana, 1969.
    El mundo de José Luis Cuevas, 1969.
    Todos los gatos son pardos, 1970.
    El tuerto es rey, 1970.
    Casa con dos puertas, 1970.
    Tiempo mexicano, 1971.
    Los reinos originario teatro hispano-mexicano, 1971.
    Cuerpos y ofrendas,1972.
    Terra Nostra, 1975.
    Cervantes o la crítica de la lectura, 1976.
    La cabeza de la hidra, 1978.
    Una familia lejana, 1980.
    Agua quemada, 1981.
    Orquídeas a la luz de la luna, 1982.
    Gringo Velho (Gringo Viejo, 1985), famoso pela adaptação cinematográfica Old Gringo.
    Cristóbal Nonato, 1987.
    Constancia y otras novelas para vírgenes,1990.
    Valiente mundo nuevo, 1990.
    A Campanha (La campaña, 1990)
    Ceremonias del alba, 1990.
    O espelho enterrado (El espejo enterrado, 1992)
    El naranjo o los círculos del tiempo, 1993.
    Diana o la Cazadora Solitaria , 1996.






























15.5.12

"Computador Romano"

                             



  Cientistas desvendam segredos de 'computador' de 2 mil anos


Os segredos de um objeto considerado o computador mais antigo do mundo foram revelados com o uso de um equipamento de Raio X.

O mecanismo Antikythera, como é conhecido, tem cerca de 2 mil anos e foi encontrado em 1901 quando um grupo de mergulhadores chegou a um antigo navio romano naufragado na costa da Grécia.

O objeto tem o tamanho aproximado de um laptop moderno e, dentro dele, estão várias rodas de transmissão e engrenagens.

Ele teria sido usado para prever eclipses solares e, de acordo com descobertas recentes, o mecanismo também servia para calcular as datas de Olimpíadas na Grécia Antiga.

A equipe internacional de cientistas conseguiu juntar em um computador mais de 3 mil projeções de Raios X, montando um Raio X em 3D.

Com estas imagens, os cientistas conseguiram compreender o mecanismo e suas engrenagens.

Aqui assistam o vídeo, no link abaixo:

 http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2012/05/120511_computador_grecia_fn.shtml

12.5.12

O "sonho americano"



                                                 A realidade do sonho americano


 O sonho americano atravessa um mau momento, asseguram hoje especialistas ao tratar de separar a realidade do mito.

David Madland, diretor do American Worker Proyect do grupo de reflexão Center for Americain Progress, considera que o objetivo quimérico tornou-se mais difícil de ser atingido agora para as grandes massas do que em outros tempos.

Muita gente polemiza sobre se "os dados estão viciados e os ricos só trabalham para seu próprio enriquecimento", uma das críticas que alimenta ao chamado movimento dos indignados, o qual desde 17 de setembro de 2011 percorre os Estados Unidos com sua mensagem denunciando a inequidade do sistema.

Os exemplos que põem em dúvida a legitimidade da mensagem mais vendida pelos governos estadunidenses não resistem hoje a mais ligeira análise, tal como indicam estatísticas de pobreza, desemprego e imigração, exemplos que contrariam a apologia da mensagem.

Cerca de oito milhões de crianças vivem em áreas com altos níveis de pobreza nos Estados Unidos, revelou uma investigação estatística realizada por instituições deste país do norte.

A organização Children Now e a Fundação Annie E. Cassey precisam que pelo menos 30 por cento dos afetados com esse flagelo estão abaixo do limite da pobreza, com rendimentos de 22 mil dólares anuais para uma família média de quatro pessoas.

Mais de um milhão do total dos afetados residem em localidades do estado da Califórnia, em especial na cidade de Fresno, com 43 por cento de infantes em situação de penúria.

Segundo a pesquisa, a cifra é superior à registrada entre as dependências federais do Arizona, Nova York e Massachussets, juntas.

Em outro exemplo, o movimento dos indignados dos Estados Unidos pronunciou-se recentemente em uma ação global denominada "Ocupemos Nosso Fornecimento Alimentar", para fazer frente ao controle corporativo sobre esses produtos de primeira necessidade.

Os organizadores da iniciativa coincidiram em que grandes corporações agroindustriais como Cargill, Monsanto, ADM e Dupont mantêm o controle dos sistemas de alimentos e, para reverter essa situação, é necessário ir a todo o poder da coletividade mundial.

Inspirados no tema Creia/Resista, milhares de pessoas dos grupos Ocupemos Oakland e Ocupemos Wall Street desafiaram ao regime que promove ganhos sobre a saúde e que não deixa de ser parte do sonho.

Para estes grupos, em um país onde não há justiça social, e onde os mais ricos concentram a riqueza, pensar no denominado sonho é algo quimérico e cada vez menos alcançável.

Por outra parte, as esperanças a fim de atingir esses objetivos de bonança e presumível bem-estar, cada vez se situam mais longe dos mais de 11 milhões de pessoas sem documentos que vivem no país, segundo estatísticas oficiais.

Apesar da propaganda oficial, muito presente hoje na campanha eleitoral a fim de eleger o presidente estadunidense em novembro, o chamado sonho americano encontra-se para muitos distante.

O abismo entre ricos e pobres nos Estados Unidos é agora mais amplo que em anos anteriores, apesar da mensagem anual sobre o estado da União do presidente Barack Obama, no qual pede que se trabalhe pela justiça social.

A propaganda sobre o mito do sonho americano propõe que qualquer um que trabalhe duro poderia atingir o bem-estar da classe média, com uma casa e ao menos um automóvel por família mas, agora, esse setor populacional, vitrine do sistema, está em crise.

Tanto o é que muitos de seus membros integram hoje o exército de cerca dos 13 milhões de desempregados existentes no país, segundo relatórios do Departamento de Trabalho.

Muitos membros da classe média também se encontram agora fazendo parte das milhões de pessoas conhecidas como "homeless" ou sem tetos, um resultado da crise que afeta aos estadunidenses.

A este respeito, estudos propõem que os rendimentos dos mais pobres, um quinto da população, aumentaram pouco mais de nove por cento entre 1979 e 2004, enquanto os rendimentos dos mais ricos subiram 69 por cento, e inclusive até 176 por cento para um por cento das pessoas com as maiores fortunas.

Estas estatísticas indicam que o "sonho americano" foi criado para os ricos. Um estudo da Brookings Institution e Pew Charitable Trust assinala que entre 1978 e 2005, os ganhos dos ricos se multiplicaram por 35, para atingir 262 vezes mais que a média dos trabalhadores.

Alguns especialistas assinalam que as chaves para chegar ao sucesso na escala social -um título universitário, as poupanças e viver em um bom bairro-, deixaram de servir de medidor para o nostálgico sonho.

Isto é muito pior ainda para as minorias, em especial para os latinos que vêem no norte o paraíso, a terra do sonho e outros qualificativos, os quais não são mais que cantos de sereias.

Isso o podem afirmar todos aqueles que são afetados pelas leis estatais anti-imigrantes, criadoras de um ambiente hostil contra os hispânicos, aos quais muitos políticos lhe tacham com os qualificativos mais pejorativos, que reafirmam que o "sonho americano" não é mais que um mito.

Prensa Latina.