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12.5.12

O "sonho americano"



                                                 A realidade do sonho americano


 O sonho americano atravessa um mau momento, asseguram hoje especialistas ao tratar de separar a realidade do mito.

David Madland, diretor do American Worker Proyect do grupo de reflexão Center for Americain Progress, considera que o objetivo quimérico tornou-se mais difícil de ser atingido agora para as grandes massas do que em outros tempos.

Muita gente polemiza sobre se "os dados estão viciados e os ricos só trabalham para seu próprio enriquecimento", uma das críticas que alimenta ao chamado movimento dos indignados, o qual desde 17 de setembro de 2011 percorre os Estados Unidos com sua mensagem denunciando a inequidade do sistema.

Os exemplos que põem em dúvida a legitimidade da mensagem mais vendida pelos governos estadunidenses não resistem hoje a mais ligeira análise, tal como indicam estatísticas de pobreza, desemprego e imigração, exemplos que contrariam a apologia da mensagem.

Cerca de oito milhões de crianças vivem em áreas com altos níveis de pobreza nos Estados Unidos, revelou uma investigação estatística realizada por instituições deste país do norte.

A organização Children Now e a Fundação Annie E. Cassey precisam que pelo menos 30 por cento dos afetados com esse flagelo estão abaixo do limite da pobreza, com rendimentos de 22 mil dólares anuais para uma família média de quatro pessoas.

Mais de um milhão do total dos afetados residem em localidades do estado da Califórnia, em especial na cidade de Fresno, com 43 por cento de infantes em situação de penúria.

Segundo a pesquisa, a cifra é superior à registrada entre as dependências federais do Arizona, Nova York e Massachussets, juntas.

Em outro exemplo, o movimento dos indignados dos Estados Unidos pronunciou-se recentemente em uma ação global denominada "Ocupemos Nosso Fornecimento Alimentar", para fazer frente ao controle corporativo sobre esses produtos de primeira necessidade.

Os organizadores da iniciativa coincidiram em que grandes corporações agroindustriais como Cargill, Monsanto, ADM e Dupont mantêm o controle dos sistemas de alimentos e, para reverter essa situação, é necessário ir a todo o poder da coletividade mundial.

Inspirados no tema Creia/Resista, milhares de pessoas dos grupos Ocupemos Oakland e Ocupemos Wall Street desafiaram ao regime que promove ganhos sobre a saúde e que não deixa de ser parte do sonho.

Para estes grupos, em um país onde não há justiça social, e onde os mais ricos concentram a riqueza, pensar no denominado sonho é algo quimérico e cada vez menos alcançável.

Por outra parte, as esperanças a fim de atingir esses objetivos de bonança e presumível bem-estar, cada vez se situam mais longe dos mais de 11 milhões de pessoas sem documentos que vivem no país, segundo estatísticas oficiais.

Apesar da propaganda oficial, muito presente hoje na campanha eleitoral a fim de eleger o presidente estadunidense em novembro, o chamado sonho americano encontra-se para muitos distante.

O abismo entre ricos e pobres nos Estados Unidos é agora mais amplo que em anos anteriores, apesar da mensagem anual sobre o estado da União do presidente Barack Obama, no qual pede que se trabalhe pela justiça social.

A propaganda sobre o mito do sonho americano propõe que qualquer um que trabalhe duro poderia atingir o bem-estar da classe média, com uma casa e ao menos um automóvel por família mas, agora, esse setor populacional, vitrine do sistema, está em crise.

Tanto o é que muitos de seus membros integram hoje o exército de cerca dos 13 milhões de desempregados existentes no país, segundo relatórios do Departamento de Trabalho.

Muitos membros da classe média também se encontram agora fazendo parte das milhões de pessoas conhecidas como "homeless" ou sem tetos, um resultado da crise que afeta aos estadunidenses.

A este respeito, estudos propõem que os rendimentos dos mais pobres, um quinto da população, aumentaram pouco mais de nove por cento entre 1979 e 2004, enquanto os rendimentos dos mais ricos subiram 69 por cento, e inclusive até 176 por cento para um por cento das pessoas com as maiores fortunas.

Estas estatísticas indicam que o "sonho americano" foi criado para os ricos. Um estudo da Brookings Institution e Pew Charitable Trust assinala que entre 1978 e 2005, os ganhos dos ricos se multiplicaram por 35, para atingir 262 vezes mais que a média dos trabalhadores.

Alguns especialistas assinalam que as chaves para chegar ao sucesso na escala social -um título universitário, as poupanças e viver em um bom bairro-, deixaram de servir de medidor para o nostálgico sonho.

Isto é muito pior ainda para as minorias, em especial para os latinos que vêem no norte o paraíso, a terra do sonho e outros qualificativos, os quais não são mais que cantos de sereias.

Isso o podem afirmar todos aqueles que são afetados pelas leis estatais anti-imigrantes, criadoras de um ambiente hostil contra os hispânicos, aos quais muitos políticos lhe tacham com os qualificativos mais pejorativos, que reafirmam que o "sonho americano" não é mais que um mito.

Prensa Latina.

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