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24.6.12

Cuba, in Rio+20

Cuba aspira que o bom senso e a inteligência humana se imponham sobre a irracionalidade e a barbárie.



Discurso pronunciado pelo presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro Ruz, na Cúpula Rio+20, no Rio de Janeiro, Brasil, em 21 de junho de 2012.

Senhor presidente;

Excelências:

HÁ 20 anos, em 12 de junho de 1992, neste mesmo local, o líder da Revolução Cubana Fidel Castro Ruz expressou, e cito: "Uma importante espécie biológica está em risco de desaparecer, por causa da rápida e progressiva liquidação de suas condições naturais de vida: o homem". Fim da cita. O que poderia ter sido considerado alarmista é agora uma realidade inegável. A incapacidade de transformar modelos de produção e consumo insustentáveis atenta contra o equilíbrio e a regeneração dos mecanismos naturais que sustentam a vida no planeta.

Os efeitos não podem ser escondidos. As espécies estão morrendo em uma velocidade cem vezes mais rápida que as indicadas em registros fósseis, mais de cinco milhões de hectares de florestas se perdem a cada ano e quase 60% dos ecossistemas estão degradados.

Apesar da importância que teve a Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática, as emissões de dióxido de carbono se incrementaram em 38%, entre 1990 e 2009. Agora vamos rumo a um aumento da temperatura global que porá em risco, em primeiro lugar, a integridade e existência física de numerosos Estados insulares em desenvolvimento e produzirá graves consequências em países da África, Ásia e a América Latina.

Um profundo e detalhado estudo realizado durante os últimos cinco anos pelas nossas instituições científicas, coincide no fundamental com os informes do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática a confirma que no presente século, caso se manterem as atuais tendências, se produzirá uma paulatina e considerável elevação do nível médio do mar no arquipélago cubano. Esta previsão inclui a intensificação dos eventos meteorológicos extremos, como os furacões tropicais, e o aumento da salinização das águas subterrâneas. Tudo isso terá sérias consequências, especialmente em nossas costas, pelo que temos iniciado a adoção das medidas correspondentes.

Este fenômeno terá, igualmente, fortes implicações geográficas, demográficas e econômicas para as ilhas do Caribe que, aliás, devem enfrentar as inequidades de um sistema econômico internacional que exclui os mais pequenos e vulneráveis.

A paralisia das negociações e a falta de um acordo que permita deter a mudança climática global são um reflexo nítido da falta de vontade política e da incapacidade dos países desenvolvidos para atuar conforme as obrigações que derivam de sua responsabilidade histórica e sua posição atual.

Isto se tornou evidente nesta reunião, apesar do extraordinário esforço feito pelo Brasil e que agradecemos.

Aumenta a pobreza, crescem a fome e a desnutrição, aumentando a desigualdade agravada nas últimas décadas como consequência do neoliberalismo.

Durante estes vinte anos, se travaram guerras de novo tipo, concentradas na conquista de fontes energéticas, como a ocorrida em 2003 sob o pretexto das armas de extermínio em massa que nunca existiram, e a que recentemente se produziu no norte da África. Às agressões que continuam agora contra países do Oriente Médio se acrescentarão outras, a fim de controlar o acesso à água e a outros recursos em vias de esgotamento. Portanto deve-se denunciar que tentar uma nova divisão do mundo desencadeará uma espiral de conflito com consequências incalculáveis ​​para o planeta já severamente inseguro, e aliás doente.

O gasto militar total cresceu nestas duas décadas à astronômica cifra de 1,74 trilhão de dólares, quase o dobro que em 1992, o que leva a corrida armamentista para outros estados que se sentem ameaçados. A duas décadas do fim da guerra fria, contra quem serão usadas essas armas?

Deixemos as justificativas e egoísmos e procuremos soluções. Desta vez, todos, absolutamente todos, pagaremos as consequências da mudança climática. Os governos dos países industrializados que atuam desta forma não deveriam cometer o grave erro de pensar que podem sobreviver um pouco mais às nossas custas. Seria impossível de parar as ondas de milhões de pessoas famintas e desesperadas do Sul para o Norte e a revolta dos povos perante tamanha indolência e injustiça. Nenhum hegemonismo será possível então. Que cesse o saque, cesse a guerra e avancemos para o desarmamento e a destruição de arsenais nucleares.

Temos urgência de uma mudança transcendental, e a alternativa é construir sociedades justas, estabelecer uma ordem internacional mais equitativa, baseada no respeito a todos; assegurar o desenvolvimento sustentável às nações, especialmente do Sul, e pôr os avanços da ciência e a tecnologia a serviço da salvação do planeta e da dignidade humana.

Cuba aspira que o bom senso e a inteligência humana se imponham sobre a irracionalidade e a barbárie.

Muito obrigado (Aplausos).

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