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Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome. Clarice Linspector
“Não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual, somos seres espirituais vivendo uma experiência humana.” Teilhard de Chardin
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19.7.13

Revoluções...Revoluções...




Assunto: Para Livre Escolha...

Depois dos protestos dos últimos dias que reuniram 250 mil pessoas, segundo dados oficiais, mas que provavelmente teve muito mais gente e que foi “convocada” principalmente nas redes sociais (sem qualquer manipulação dos partidos políticos do país), o que leva a pensar que os insatisfeitos podem ser multiplicados muitas vezes, já que muita gente não teve força suficiente pra vencer a velha inércia e sair de casa; depois dessa manifestação histórica é bom ir se preparando e escolher qual o tipo de revolução que melhor se coaduna com você:


Revolução Burguesa. A Revolução Burguesa é muito chata. Ninguém quebra nada, pois a burguesia não quer saber de prejuízo. Eles ficam andando pra lá e pra cá e gritando: "Morte ao rei! Morte ao rei!". O que é particularmente ridículo se você vive numa República. Quando se cansam, todos se sentam, bebem vinho francês e discutem maneiras de burlar empréstimo no BNDES.
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Revolução Proletária. A Revolução Proletária é absolutamente sem sentido. Acompanhe. O proletário rala feito uma besta numa fábrica. Tudo o que quer são condições melhores de trabalho e aumento de salário. Um dia ele se invoca, faz uma revolução e se apropria da fábrica. E aí tem de trabalhar feito uma besta para sempre. Não adianta chegar pro patrão e pedir aumento pra comprar carro novo. Não tem carro novo. Não tem patrão. Não tem aumento. Só tem a fábrica. E se o cara se recusa a trabalhar, acaba não se aposentando pelo INSS. Proletário é uma besta mesmo.
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Revolução Permanente. A coisa mais complicada da Revolução Permanente é que não tem hora para acabar. Não dá para largar às seis e dizer: "ok, pessoal, vou pra casa ver novela e vejo vocês amanhã na derrubada do czar". Revolução Permanente é para sempre. Já quem a defende costuma morrer cedo. No geral, com uma picareta no meio da testa.
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Revolução Industrial. É parecida com "O Exterminador do Futuro", um clássico do cinema que vocês, "milennials", não conhecem. As máquinas dominam tudo e o trabalho manual vira sinônimo de masturbação. A Revolução Industrial é seguida da Revolução Digital, que permite a livre circulação de pornografia para que todo mundo possa se dedicar ao trabalho manual. O Google vence no final.
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Revolução Cubana. Logo no começo, o cantor diz "e ao piano, Don Rubén González". E aí todo mundo começa a cantar "Guajira, el son te llama, a bailar, a gozar...". É, de longe, a revolução com o melhor swing. Tem uma blogueira feiosa que reclama, mas é só tomar um mojito e fumar um charuto que você se esquece feiúra dela.
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Revolução Russa. De um lado fica um monte de gente gritando "Tolstoi! Tolstoi!". Do outro, um bando berra "Lenin! Lenin!". Aí chega uma “Lolita” muito safada e pergunta: "E na Nabokov, não vai nada?"
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Revolução de 64. Os militares gostam muito, pois apesar de ser chamada de "revolução", é só um golpe: os militares saíram golpeando todo mundo que discordava deles. A PM sádica do Geraldo Alckmin é um entulho desta época. Eles acham que jato de pimenta no dos outros é refresco.
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Outras revoluções. Esses são apenas alguns exemplos, mas existem muitos outros. Por exemplo: A Revolução Estética, que usa pincel e tinta em vez de coquetel molotov, mas precisa de muito mais palavras de ordem pra dar certo. A Revolução Gloriosa, que, como o nome indica, foi uma grande passeata gay que tomou a Inglaterra do século 17. A Revolução Islâmica, que gerou filmes chatos sobre maçãs chatas e quadrinhos chatos sobre garotas chatas. E finalmente, a melhor de todas, a Revolução dos Costumes, que permite que as garotas saiam na rua de minissaia e topless. Nessa última, as pessoas só se machucam se for mutuamente consentido. Pense nisso.
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EDSON ARAN é autor de cinco livros. O mais recente, "Delacroix Escapa das Chamas" (Editora Record), é uma sátira futurista passada na São Paulo de 2068. Sua série de cartuns "O Totalmente Dispensável Almanaque Inútil do Aran" é publicada mensalmente no "Folhateen". Ele foi diretor das revistas  "Playboy", "Sexy" e redator-chefe da "Vip". É um tuiteiro compulsivo e sua conta é @EdsonAran

*recebi por email.

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